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Invisível parece

Invisível, pelo menos na forma visível, pelo menos é o que se quer mostrar em meio aos outros, de alguma forma não ouvir o que eu digo, não ver-me como sou ou não falar comigo tem os seus benefícios, claro, como se pode fazer amizade com uma pessoa que é antissistema? Ter-se-ia que enveredar pela mesma via, e questionar a ordem das coisas é complicado… Antissistema sim, e posso dizê-lo com orgulho sem problemas sobre o que pensarão os outros disso, quando decidi mostrar quem era as pessoas certas afastaram-se e pouparam-me trabalho, as mais “desatentas” ficaram, por conveniência até que as expulsei da minha vida, porque nos meus pensamentos só cabe quem pensa em mim com afeto, porque de desafetos está o mundo cheio e do que eu preciso é amor, eu e todos, mas de amor verdadeiro, não desse mascarado em mentiras e pretextos. Invisível porque vejo as coisas desagradáveis, não passo por elas e ignoro na esperança que por as ter ignorado acabem por desaparecer, na verdade até acredito que por vezes …

Uma sátira sobre a sociedade

O filme e a personagem que mais me marcaram foi o Joker, com o Joaquim Phoenix, sim, eu não vi o Joker com o Heath Ledger, eu sei, icónico, perdi, até porque o actor diz-me qualquer coisa mas confesso que o Joaquim Phoenix como actor, vegan, sabendo que se teve que transformar para o carácter tamanha era a sua importância chamou a minha atenção, antes disso só conhecia o Joker em bandas desenhadas, adorava a caracterização dele, a companheira dele a Harley Quinn, também não sabia a história dela mas o aspecto dela rebelde e ousado chamaram a minha atenção, aquela postura dura com um interior doente faziam lembrar-me alguém, só restava saber o porquê de ela ter ficado assim. Sou uma pessoa estranha, devem pensar os outros, porque quando vi o filme do Joker achei perfeitamente compreensível o rumo que ele acabou por tomar na vida dele com todos os acontecimentos que o deveram até ele, sim, temos algum controlo sobre as nossas vidas mas existem alturas em que parece que alguém joga xadrez …

A superficialidade das relações actuais

A mentira tem perna curta, até aquelas mentiras mais subtis, basta que estejamos atentos para perceber tempos depois que o que foi dito não passava de uma forma de nos calar temporariamente e assim evitar problemas. Por isso é que é tão estúpido mentir, sobretudo se os motivos são quando simplesmente não queremos estar com alguém, magoar a pessoa com uma verdade é preferível do que inventar soluções a curto prazo para escapar a isso e depois acabar-se por saber a verdade de outra forma qualquer, a pessoa não só acaba por passar a imagem daquilo que está a ser: hipócrita, como perde para sempre a confiança do outro. Mas o ser humano na sua grande maioria é assim, acha que é profissional em relações humanas só porque dá-se com muita gente quando na verdade não conhece nem um terço das pessoas que o rodeiam, talvez o introspectivo conheça mais verdadeiramente as pessoas do que alguma vez aqueles que se dizem festeiros e sociais conhecerão, porque como tudo na vida ter muitas pessoas em nosso …

Respeito pela dor e pelas palavras

Quando as pessoas praticam solidariedade ou mostram empatia com um esforço tremendo, isso significa que não sentem de facto empatia e que cedo esses sentimentos de carinho e compreensão pelo próximo se dissipam da mesma forma que passa uma moda ou acabam de ver uma série de tv. A empatia cultiva-se, sim, isso está certo, uns têm-na mais interiorizada outros menos, mas há entre nós aqueles que não têm se quer uma capacidade empática e que por isso é preciso um esforço colossal na hora em que é necessário mostrar alguma empatia, e se ela passa, cultiva-se, pensa-se nela novamente, caso contrário falhamos como seres humanos porque é essa uma das características que mais no humaniza, porque se não queremos pensar ou cultivar empatia então desculpem mas são más pessoas, não são empáticos só porque naquele dia decidiram pensar no assunto, são, numa forma mais subtil de abordar a questão no mínimo dos mínimos preguiçosos, porque a empatia envolve sofrer com a dor dos outros e senti-la ainda que em menor escala, e se o …

Deuses e humanos

A sociedade precisa de distrações, de ser feliz, de sorrir, de se esquecer do trabalho, isso é ponto assente, claro, mas a forma como o faz diz muito sobre ela, o que fazemos no tempo de lazer diz muito sobre nós, e eu tenho uma certa dificuldade em entender tempos de “lazer” ocupados por futebol e big brother ou novelas, e coloco lazer entre aspas porque para mim isso é sinónimo de tortura medieval. Não conseguiria passar uma tarde inteira da minha folga a assistir a um jogo de futebol, e não venham com alegações machistas, joguei imenso futebol e pratiquei imenso desporto quando era miúda, não é por não entender o desporto que desculpem-me porque meia dúzia de gatos pingados com a barriga inchada a beber cerveja e a lançar perdigotos e palavrões enquanto assistem um jogo de futebol significa muita coisa menos que sejam grandes desportistas salvo raras excepções. Já repararam? Não praticam desporto nem nada que se pareça mas acham que entendem muito sobre o assunto e é por isso que no …

O meu lugar no mundo

Não vou apagar o meu blogue, por mais pessoas que eu alegadamente magoe, este blogue é o meu quarto, o meu canto privado, o meu diário e a minha vida, e se uns se fazem de convidados do meu diário numa vida escrita e rabiscada aqui da qual não fazem parte, isso é problema deles, este espaço é meu, só meu, e só quem não entende a escrita é que pode criticá-la e querer aniquilá-la, não é preciso saber escrever mas compreender a escrita é o básico dos básicos, é preciso apenas pegar num livro cujo tema nos atraia e perdermo-nos por horas e horas nele, é só preciso isso para entender a escrita, era só preciso que houvesse menos big brother e mais cultura… Não me importo de tornar público aqui o que me vai na alma, a maioria dos leitores do meu blogue são brasileiros, talvez seja o wordpress ou a minha forma de escrever, fico feliz de atrair essa cultura para perto de mim, sinto que é um povo mais simples e …

As dores dos outros

Tomar as dores dos outros é um jogo um tanto injusto, há que não confundir amor com cegueira, amor com ignorância ou injustiça, aliás, frequentemente esses 3 problemas estão ligados ao ódio e ao medo, não ao amor, e como somos todos falhos, cobrir as falhas dos outros só porque os amamos sem questionar, aceitar os “inimigos” de quem amamos como nossos só porque os amamos, é não só estranho como caricato. Eu posso dizê-lo porque as pessoas que mais amei, mais protegi e defendi foram as que mais me fizeram sofrer á uns anos atrás, os meus pais, até que a forma de deixar de sofrer foi tentar ver as coisas como se estivesse do lado de fora, foi aí então que percebi tantas coisas. Até aos dias de hoje não sei quem me diz a verdade, e continua o mesmo jogo do gato e do rato tantos anos depois, os dois proclamam-se vítimas, a diferença é que hoje já não perco o meu tempo a tentar perceber quem tem razão, essa é uma …

Seremos sempre jovens delinquentes

Existe a ideia frequente de que por sermos jovens não temos as ideias no lugar, bem no meu caso e do Bruno jovens bem adultos, jovens independentes que pagam contas á anos sem viver dependentes dos pais, no meu caso, á mais anos ainda e ainda assim ás vezes não deixo de sentir que as pessoas continuam a olhar para nós como se fossemos delinquentes, o que é deveras engraçado, pois durante estes anos eu e o Bruno temos sido muito responsáveis a gerir a nossa vida, e embora não devamos contas da nossa vida a ninguém, chateia-me que ainda tenhamos esse estigma em nós. Uma das coisas que nos torna mais conscientes e responsáveis ( e com esta já estou preparada para cair-me tudo em cima) é o facto de não termos filhos, há quem pense que fiz uma lavagem cerebral ao Bruno para que ele optasse por não ter filhos (apesar do útero ser meu para não dizer outras coisas) mas tudo o que fiz foi o que todos os casais deviam fazer, …

Des [confiar]

Ás vezes a melhor forma de percebermos se o mundo está de pernas para o ar ( já todos sabemos a resposta a isso) é olharmos para o nosso eu enquanto crianças e pensar em como reagiríamos se lhes contássemos algumas coisas. “Sabias que nem sempre quando as pessoas fazem bem é com boas intenções?” Diria eu hoje, e provavelmente o meu enquanto criança ficava “hm? Não são as pessoas que fazem coisas boas que são as boas?”, e tu num encolher de ombros perguntar-te-ias como se explica a uma criança algo que não tem a mínima explicação mas ainda assim acontece… As lógicas necessárias para entendermos e sobrevivermos a um mundo onde todos farejam á procura de uma presa são difíceis de entender quando acabamos de chegar a este lugar estranho que se chama mundo, vamos aprendendo com o que vemos e pior, com o que nos acontece. Podemos ler mil manuais diferentes mas não há nada que nos ensine melhor do que a vida, as coisas que acontecem conosco e que ninguém nos …

Mexericos

O grande problema, no geral está no facto de as pessoas não reconhecerem a liberdade das outras, de querer por querer que todos sigam o mesmo rumo quando todos temos aspirações diferentes na vida. Uma coisa é criticarmos alguém que passa a vida a infernizar a vida dos outros, outra coisa é de repente termos problemas só porque optámos por caminhos diferentes dos demais. Há quem diga que magoamos os nossos pais quando escolhemos uma carreira não tão lucrativa por exemplo, mas se não podemos escolher qual a profissão que vamos exercer o resto da nossa vida onde está afinal a nossa liberdade? E não será uma falta frequente de maturidade dos progenitores achar que a vida dos filhos para sempre lhes vai pertencer? Nunca quis ter filhos mas aqui está uma coisa que acho que quase ninguém compreende: pais são meros interlocutores entre o mundo e os filhos, não são donos ou possuidores dos filhos como se de coisas se tratassem, não decidem o destino deles ou que personalidade vão ter, são meros intervenientes, …