All posts filed under: A mulher na sociedade

Eu era simpática, até o machismo aparecer…

Tudo começa quando pensamos nós, que no nosso direito o podemos afirmar em voz alta, sem nada contra ninguém, sem juízos de valor, apenas fazendo uso da nossa suposta credibilidade, inocentemente afirmamos: “não, eu não quero ter filhos”, completamente apanhadas de surpresa quando caem o carmo e trindade seguidos desta afirmação, lidamos com isto com estranheza, a grande maioria de nós nem tem reação porque é a primeira vez que estamos a lidar com o machismo, vamos para casa a pensar, a pensar, com a cabeça a latejar e completamente frustradas sem saber porquê, até que percebemos que acabámos de ser vítimas de discriminação. É natural que num primeiro momento não tenhamos resposta, afinal, é uma surpresa que a liberdade seja um dado tão adquirido hoje em dia quando afinal ela nem existe, percebemos nós, pelo menos a liberdade de expressão e pensamento, essa, deixem-se de merdas, não existe, e por isso é que eu gosto tanto de fazer uso dela aqui no blogue. Claro que a partir daí começamos a reflectir em um rol …

Princesa o caraças!

A minha professora de educação moral e religiosa deu-me sem querer uma das primeiras lições que me levou ao feminismo, e lembro-me como se fosse hoje do momento em que ela deixou de sentir qualquer “encantamento” por mim, escrevo encantamento porque era essa a palavra, chamava-me de princesa a toda a hora e dizia que tinha orgulho em mim, baseado em quê não sei, talvez no facto de ser vítima de bullying e permanecer calada, talvez o de encontrar-me sempre com um olhar triste enquanto sorria sempre para as pessoas e tentava disfarçar, aceitava o elogio calada, sorria, eram poucos os elogios que recebia naquele lugar por aquela altura, por isso aceitava o elogio embora não o compreendesse. Um dia, resolvi defender-me, cansei-me de todos dizerem que me admiravam enquanto todos ignoravam o que acontecia, era como se tivesse que salvaguardar a admiração de todos e permanecer calada até que um dia ou era o bullying ou era eu, e percebi que lutar então não fazia de mim má pessoa mas que defender-me era necessário …

O medo é um mentiroso

O medo mente, e de que maneira, e por isso é que a grande maioria de nós que sente ansiedade fica incrédulo ao pensar que a ansiedade surge por coisa nenhuma, e quando sentimos a ansiedade, o medo para ser mais específica, continuamos sem perceber porque o sentimos mas sentimos com cada pedaço do nosso corpo, o nosso coração salta do peito, as mãos tremem, suamos, a nossa respiração descontrola-se e a voz fica trémula. Os livros de autoajuda mais ridículos que surgiram á face da terra só servem para nos atrapalhar, dizem-nos que devemos evitar o medo muito resumidamente, respirar fundo, contar até 10 e pensar em coisas bonitas, e quando não conseguimos tornamo-nos nervosos e ansiosos, falsos gurus diriam que não temos a dedicação necessária para controlar o medo, pois da minha parte posso dizer que tentei de tudo e mais alguma coisa até ter percebido que livros de autoajuda e gurus milagreiros eram a maior mentira da história, assim como é o medo, e que a esses ditos gurus dava muito jeito …

Mais minimalismo, menos caos

Nem imaginam a paz que foi reduzir as minhas rotinas diárias para um terço. E quando chega a altura de deitar fora uma embalagem de cosmética vazia? Deitá-la fora sabendo que nunca mais vou ter comprar uma igual só porque sim. Reduzi a minha maquiagem a um terço e estou feliz, fico preparada mais depressa, gasto menos dinheiro e o engraçado é que ninguém repara. Não se iludam, eu continuo a ser vaidosa, eu adoro cuidar de mim, a diferença é que agora o gosto voltou e deixou de ser uma imposição social. A diferença é que sinto-me mais leve agora e deixei de pensar que tudo o que eu puder fazer para ficar bonita é necessário, até aquilo que eu fazia todos os dias e que no entanto não fazia qualquer diferença eu continuava a fazer, como se a indústria é que tivesse sempre razão, a indústria para além de nos impingir 30 mil coisas diferentes ainda nos quer impingir coisas caras e com um custo beneficio bastante injusto para o consumidor. Uma youtuber …

Equilíbrio

Há uns meses atrás disseram-me, sem pedir a minha opinião, sem que o assunto entrasse em contexto que eu estava com uns quilinhos a mais, sorri e ignorei mas depois fiquei a remoer o que tinha ouvido, devia ter respondido é claro, mas na altura o querer “sobreviver” aquela situação falou mais alto e limitei-me a encolher os ombros um tanto envergonhada. Engraçado é que nunca me senti tão bem na minha vida, tinha as curvas que sempre quis, sem querer de repente tinha conseguido o peso que tantos anos levei a ganhar, sentia-me bem e feliz porque finalmente tinha deixado um trabalho onde me sentia presa e resolvido grande parte dos meus problemas, tudo estava bem, até estava a pensar em voltar ao ginásio, não para perder peso mas para tonificar pois sempre gostei de ter um corpo bem definido e saudável. Mas faltava alguma coisa e eu percebi que era isso, livrar-me dos comentários impertinentes, sentir-me livre e preparada para dar azo aos projectos novos, era isso que faltava. Tudo para dizer que …

E quando são as minorias a discriminar?

Há uns tempos atrás num antigo trabalho que eu tinha do qual tive a brilhante ideia de sair (não estou mesmo a ser irónica) numa das boleias que a minha chefe na altura insistia em dar-me sem ser de todo preciso pois a minha casa ficava a 15 minutos a pé do local de trabalho, tive o infeliz episódio de perceber quando já tinha aceite a boleia, que á boleia ía também aquele meu colega que nunca ninguém percebeu porque foi privilegiado, mas a vida é assim certo, uns caem nas boas graças outros não, os motivos podem ser muito difíceis de aceitar quando não são trabalho sério e responsável demonstrado, mas isso é outra história que fica para outro capítulo.Esse meu colega era homossexual, assumido e daqueles que faz questão de gritar aos 4 ventos que é ( como nenhum homem ou mulher hetero fazem ), era mesmo um daqueles apelidados “bichas” que vão buscar o pior que as mulheres têm e tornam-no como características suas. E falo da sexualidade dele porque isso nunca …

Quando a própria medicina esconde a verdade

Hoje a fazer um pouco de trabalho de pesquisa, dei por mim a ouvir um médico dizer num documentário que uma mulher que não quer filhos fazer a laqueação era por ele considerado como um ato de auto punição.Fiquei um tanto admirada sobretudo por ser um médico a dizer algo deste género, quando precisamente a área da medicina é aquela que deveria elucidar qualquer mulher sobre os prós e contras de um parto e de uma gravidez. Mas enfim, não é novidade que a sociedade num geral nos tenta tapar os olhos diariamente quando fala sobre maternidade, sempre ocultando aquilo que por alguma razão nos pode fazer optar por não ter filhos, como se nós mulheres não tivéssemos o direito a saber inteiramente sobre vantagens e consequências de algo que nos é imposto e sobre o qual nos exigem que não hajam questões.Mas um médico, um médico ocultar-nos a verdadeira maternidade e a verdadeira gravidez faz-nos questionar todo um sistema de saúde, faz-nos questionar se mesmo das profissões mais valorizadas e mais nobres afinal não …

Um julgamento dos homens e da igreja

Têm Netflix? Se sim por favor vejam, e vejam com bastante atenção o caso da Amanda Knox, o título da série é mesmo este, o nome da adolescente que se viu julgada por uma sociedade ainda tão manipulada pela igreja e pelo machismo, uma sociedade que não aceita pessoas diferentes e que ainda se acha no direito de as julgar por um crime só por isso, por serem diferentes. Tive que ver o documentário duas vezes porque se a primeira vez que o vi fui “botando” o olho sem prestar total atenção, á segunda pude comprovar que afinal o que tinha visto não era mesmo uma história de ficção, era bem real e podia ter acontecido comigo que tanto identifiquei-me com a Amanda. Nunca pensamos que o facto de sermos diferentes, almas livres, felizes nos possa render mais do que alguns olhares de desdém e algumas críticas típicas de quem não tem nada para fazer, nunca chegámos ao ponto de pensar que sermos livres, termos raciocínio próprio e sermos mulheres pode levar-nos a ser injustamente …

Nem para plantar batatas, quanto mais filhos!

Lá estou eu aqui para “rasgar”, realmente eu devo ser muito má como alguns dizem, tem que se ser muito má pessoa para se ficar muito chateado com as injustiças que acontecem ás pessoas de quem gostamos, há a infeliz ideia de que as pessoas boazinhas não se chateiam, aceitam tudo, isso é só ser cínico, mais nada. Há pessoas que eu nem para plantar batatas mandava pois até a fazer isso podiam-se enterrar na m*rda, quanto mais para se porem com ideias de ter filhos só porque “toda a gente tem”, porra fico mesmo chateada com isto, é preciso ter responsabilidade e condições para ter filhos, porque se não vais a um dentista é desleixo, ninguém tem nada a ver com isso, se não trabalhas e és um vagabundozito tudo bem, ninguém tem nada a ver com isso, se andas em más companhias e tens uma família problemática a responsabilidade é tua de saíres da situação, mas agora, se colocas uma criança no meio da tua vida e não tens QI suficiente nem para …

Daqui a uns anos mudas de ideias

Acho que esta foi a frase mais recorrente da minha vida e de cada vez que a oiço torna-se mais obsoleta. Se no início eu dava-me ao trabalho de dizer que isso não ia acontecer, hoje em dia eu digo: “mas eu já tenho 33 anos!”. Fico estupefacta como é crescente o egoísmo das pessoas e o foco na nossa própria vida. Egoísmo? Claro. Existe uma certa pressão para seguirmos os mesmos caminhos que as outras mulheres, só é um tanto egoísta que as pessoas ignorem o facto de não querermos e de assim estar a dar azo à pequena hipótese de sermos mães com filhos indesejados, frustradas, infelizes e com depressões pós parto que podem durar toda uma vida. Oiço esta frase desde que tenho uns 10 anos, mas nessa altura as pessoas só diziam isso, sem grandes comentários, sem grandes motivos para espanto, já que tinha tantos anos pela frente, ignorando completamente o facto de que estavam a desrespeitar a minha infância colocando temas na minha cabeça que deveriam só fazer parte da …