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Eu escolho viver

Doce liberdade, acordo e sorrio, estou cansada mas feliz, livre, hoje tiro da minha vida o que não posso mudar e sigo caminho sem pensar demasiado no assunto, só mais uma vez, hoje escolho, perante os factos, não odiar, escolho ignorar, tudo o que não é verdade, tudo o que vem com malícia. Odiar magoa o meu coração, entorpece a vida que existe em mim e eu escolho viver, e eu, só eu sei dentro de mim as razões tão grandes que tenho para viver.

Hoje deixo que o meu coração chore, só um pouco, ás vezes é preciso, e enquanto escrevo estas palavras sinto um frio percorrer todo o meu corpo e a primeira lágrima cair, mas é uma lágrima de paz e tristeza, paz porque deixei de tentar mudar o mundo, tristeza porque sei que só o meu pequeno mundo pode conhecer estes afetos e amor que vivo todos os dias, só posso tentar trazer alegria para perto de mim, porque chorar e acumular mágoas, não muda coisa nenhuma, mas a malícia dos outros cria-nos calos na alma e criamos defesas por causa de gente que não é gente nem tenta ser.

Mas não faz mal não é? As nossas marcas tornam-nos humanos, as nossas lágrimas são um sinal de que vivemos e sentimos, coisa rara, não significa que não sejamos corajosos, significa que vivemos, e eu, eu não controlo mais a vida que há em mim porque eu sou livre de sentir, e ser, e viver, e ser livre é ter uma alma, e senti-la e sabê-la real.

Com os anos a passar, se pudesse pedir um desejo, tenho a certeza que seria um único, e esse desejo mudaria tudo e transformaria tudo, e esse desejo seria o de tirar o mal que existe nas pessoas e fazê-las ver que esta vida é curta, e frágil e preciosa demais para a desperdiçarmos.

A minha liberdade é o meu pote de ouro, é o melhor presente que a vida me devolveu, e não vivo sem ela, e estou cansada, profundamente cansada que a minha felicidade chateie, perturbe, faça confusão, estou cansada de pessoas.

Choro, e penso em todas estas coisas, choro o tempo suficiente para que o meu coração se acalme, enxugo as minhas lágrimas, fecho os olhos, respiro e abro os meus olhos para olhar em meu redor. Eu sei que as pessoas não merecem as minhas lágrimas, mas sinto que o meu coração se limpa de todas as coisas más sempre que choro, sinto que nasce um novo sorriso, uma nova esperança, e sorrio, em paz enquanto acabo de enxugar as minhas lágrimas.

Está sol lá fora, desliza uma última lágrima pelo meu rosto enquanto observo o vento a agitar as árvores e o céu azul, fico alguns minutos a ouvir o som do vento e sinto a vida em cada pedaço do meu ser, sorrio e rodopio de pés descalços no chão do meu quintal, a vida é boa, esta vida que corre em mim, estes sonhos, esta paz, e mais importante de tudo esta vida em mim, é minha, e por mais lágrimas que chore por conta da maldade das pessoas nunca permitirei que isso apague a luz que há em mim, o amor que sinto, a gratidão, o ódio das pessoas fez-me fechar os olhos, soluçar e perceber que sou uma sortuda por ter tanto.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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