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Parabéns, agora já vivemos uma guerra.

Se acham que vivo num certo conflito com as gerações anteriores, para os mais entendidos os baby boomers sobretudo mas a geração x também, estão meio enganados, na verdade, o conflito é deles conosco, com a geração z e os millenials (nós), algumas pessoas nestes grupos geracionais mantêm a mentalidade aberta para a evolução da sociedade, a grande maioria acha que os jovens têm que viver presos em tempos que já não existem, ignorando completamente o facto de que as coisas mudaram e continuarão a mudar quer queiram quer não.

Para vos dizer a verdade nem sei dizer se o maior conflito é com os baby boomers ou com a geração x, porque pensando bem, os baby boomers passaram por uma guerra, a geração x colheu os frutos “sexo, drogas e rock&roll” e acusam-nos de ser uma cambada de drogaditos sem rumo, hipocrisia?, sim claro, da mais descarada e problemática, tomam-nos por leigos, ignoram que somos mais estudados, mais responsáveis, menos dados a coisas boémias (é facto e existem estudos) bebemos menos, usamos menos drogas, estudamos mais, trabalhamos mais, contudo, não deixa de ser uma comparação ridícula e desnecessária esta que estou a fazer, contudo quando nos apelidam de preguiçosos, mimados e trinta por uma linha temos que voltar atrás no tempo para dar uma chapada de luva branca ás gerações anteriores. “Calem-se imediatamente” gritamos do mais profundo da nossa alma, “calem-se, não digam barbaridades”, gritamos uma e outra vez, baby boomers, geração x, não deixam de ser pseudo adolescentes muitas vezes que não perceberam o tempo a passar e choram em tom de resmungo o facto de os tempos terem mudado, como se nós tivéssemos culpa das circunstâncias em que vivemos, como se fôssemos nós a decidir e assim ao longo dos anos descarregam em nós a velhice, porque parar no tempo é envelhecer, e digo-vos que conheço muitos baby boomers mais novos e evoluídos que certos sujeitos da geração x, porque tentam entender as mudanças e como elas nos transformam enquanto pessoas.

A alguns os tempos antigos deram jeito, diga-se de passagem, por isso, as mais confrontadas nas gerações dos millenials e z somos nós, mulheres, claro, enchem a boca para dizer que já não existem mulheres como antigamente, daquelas que se limitavam a lavar a loiça e obedecer aos maridos, nesses tempos onde a violência doméstica ainda não era crime e podia-se bater na mulher na sequência de um dia mau ou de uma bebedeira, ainda se pode na verdade, mas isso é outra história, agora é crime, só que vivemos num país onde muito se diz e pouco se faz, mas voltando ao assunto, claro que lhes deu jeito, irem ás putas enquanto as mulheres carregavam o segundo filho, sem métodos contraceptivos para controlar a natalidade, sem possibilidade de trabalhar e ser independentes, tinham que ficar à mercê de zés ninguém que queriam mais era uma escrava do lar que lhes abrisse as pernas quando não lhes apetecesse sair de casa e que fosse mais ou menos bonita para andar em público com eles, “bons tempos” suspiram uns quantos baby boomers e até alguns sujeitos da geração x, “bons tempos” exalam saudosos, as mulheres modernas são putas nas suas bocas sujas mas o engraçado é que o nome não nos vale de muito porque somos independentes e não fodemos com zés ninguém que achamos repugnantes, mas continuamos a ser putas nas suas bocas porque usamos mini saia, decotes, saímos á noite e adivinhem: temos vidas iguais ás deles, e no alto da parolice de alguns tugas que não evoluíram no tempo e que julgam que o que têm ao dependuro no meio das pernas e que tomam em melhor conta do que aquilo que é na verdade lhes vale mais direitos do que a nós, acho que daqui a 10 séculos vão haver pessoas a ler isto e a ficar com bulimia, porque na verdade sou uma mulher moderna, feliz, livre mas quando penso nestes energúmenos a minha libido cai a pique, fico seca e desidratada com um cato no deserto e acho que no fundo dá-me até um certo prazer malévolo saber que estes neandertais nunca vão ser desejados na miserável vidinha deles por terem um cérebro de uma minhoca e não perceberem que as mulheres que os fazem partir o pescoço no meio da rua, nunca os vão querer de facto, nunca vão saber o que é o tesão de uma mulher e mais vale ser assim, já que são esses que acham que as mulheres não gostam de sexo (risos)

Por fim, e isto tendo em conta os últimos tempos é o que mais me tem chateado, não sei se repararam que nós millenials ou geração x passámos anos da nossa vida a ouvir “ah, mas nós passámos por uma guerra”, como como se fôssemos culpados de viver tempos de paz, de pura crise sim mas paz, uma paz que estava á vista não durar muito e que era tudo menos real pois tempos piores do que os nossos desculpem, mas ninguém viveu, porque se algumas coisas melhoraram com os anos, outras pioraram, e essas outras coisas nunca permitiram paz, perdoem-me, mas estamos em guerra á anos, á anos, desde que sei que existo que existe crime, desigualdade, violência a uma escala pior de ano para ano e grande parte foi culpa das gerações anteriores, ainda lembro-me quando as pessoas pediam empréstimos para tudo, ás vezes até para comprar um par de ténis enquanto a nossa geração desdobra-se em empregos para estudar e conseguir arrendar uma casa, que se dirá comprar, e depois somos preguiçosos por sair de casa dos pais aos 30 (eu sai aos 20) mas encurtam-nos os prazos dos créditos e exigem-nos mais quinhentas coisas do que exigiam na altura dos nossos pais, não pedimos para vir ao mundo, parece cruel dizer isto mas é um facto, e por isso não percebo as queixas das gerações anteriores quando viveram uma segunda guerra, sabendo que tinha havido uma primeira num não tão curto espaço de tempo e por isso já deveriam ter percebido que o mundo não estava a caminhar para melhor e sim para pior, e se agora criticam-nos por não ter filhos, o mais grave é que isso significa que ainda não perceberam que isto não está para colocar crianças no mundo só porque querem alguém com o mesmo nariz ou com os mesmos olhos quando estiverem debaixo da terra, por amor da santa!

Quando nas notícias a geração z (Greta Thunberg) fala do aquecimento global e das atrocidades aos animais que fazem parte do nosso ecossistema e da nossa sobrevivência caso a empatia não lhes chegue, riem-se, da forma mais laica que conheci riem-se, e eu coloco as mãos á cabeça porque parecem pseudo adolescentes perdidos no tempo que não querem assumir responsabilidades pelos actos (porque mudar dá trabalho) e aproveitam-se do facto da Greta Thunberg ser incrivelmente mais nova ( e mais responsável..) para desdenhar dela, ignorando que tudo o que uma adolescente que tem a idade de ser suas netas diz é a mais pura verdade, pior de tudo, já que os humanos mais cruéis caracterizam-se por esta frieza gigante perante o que não vêm, falemos dos netos e dos filhos e da gigante falta de respeito que é rirem-se com um discurso da Greta Thunberg e mudar para o canal de futebol, ignorando que estão a lixar o futuro daqueles que puseram ao mundo pelos vistos e comprovadamente apenas por motivos de vaidade, caso assim não fosse, humildemente, a geração baby boomer e x tentaria ser uma geração mais activa nas preocupações ambientais e sobretudo mais interventiva, porque quando falamos do que está a acontecer no nosso ecossistema falamos de um acumular de maus hábitos que já dura á muitos anos, mas qual quê, é mais fácil ver o futebol e beber uma cerveja… Há mais respeito por um gajo que dá uns chutes numa bola do que por uma ativista que tenta chamar as pessoas á razão, se isto não é burrice, não sei… E tornam-se em adolescentes rufias quando falam e troçam da ativista por ter Síndrome de Asperger por não terem argumentos para refutar o que é dito nas manifestações, por não quererem admitir que uma jovem activista tem mais responsabilidade e bom senso do que meia dúzia de baby boomers refastelados no sofá a praticar sedentarismo, ao menos podiam pesquisar no telemóvel ou perguntar a alguém o que é Síndrome de Asperger, pois, dá trabalho….

Não passamos por uma guerra, continuam a dizer eles, como se a culpa de terem-na vivido tenha sido nossa quando nem existíamos, como se nos desejassem uma guerra, valha-me seja lá quem for mas é o que me ocorre, parece que existia até então uma certa mágoa por não termos vivido uma guerra, até então disse bem, mas antes de chegarmos aí vamos falar também do custo de vida, do facto de as rendas terem aumentado mais que o dobro, de a comida estar mais cara, do combustível estar caro, os baby boomers e a geração x está quase toda reformada, nós, temos que usar os nossos carros para irmos até ao trabalho e pagamos as contas disso e de saúde nem se fala porque nem amor próprio nem a mais pequena intenção de zelo e bem estar existe, atafulham os netos de obesidade, os ginásios são só para os homens dizem eles, criticam-nos mas são os mesmos que nos olham sem desviar o olhar por um momento até mesmo quando os confrontamos e por fim, não passámos por uma guerra diziam eles, resta-me perguntar:

e agora, estão felizes?

Vivemos os piores tempos de sempre, passamos por guerras potencialmente mais perigosas que todas as outras por conta da evolução das armas e da tecnologia, xenofobia, racismo, descriminação, ás mulheres são privados os direitos de decidir ter filhos ou não, a mutilação genital acontece ainda nos dias de hoje, em África oferecem a mulher mais jovem da família para pagar os crimes de algum membro, de que forma já sabem, a mutilação genital é feita para não sentirmos prazer e não sermos “putas”, no Brasil não podemos abortar mesmo que tenhamos sido violadas, e em todo o mundo se um nome famoso decide abusar do poder que tem para nos obrigar a ter sexo, nunca, nunca teremos o direito a defender-nos, e isso aplica-se a qualquer uma de nós, nomes para quê, já todos sabemos, no Afeganistão mulheres são proibidas de estudar, de sair á rua sozinhas ou de simplesmente mostrar o rosto e em qualquer canto do mundo iremos ser julgadas e pressionadas para ter uma imagem perfeita e não pelos nossos conhecimentos e aptidões, a um nível mais geral, somos tão irresponsáveis e promíscuos dizem as gerações anteriores, mas a Sida apareceu no auge dos tempos dos baby boomers e agora está controlada, mas vamos mais longe, falemos das pandemias, dos hábitos absurdos de gerações que tendem a bater com o pé quando se fala do aumento necessário do consumo de vegetais e frutas e que preferem comer carne, carne e carne, enchafurdar carne até mais não ignorando que todas as pandemias surgiram através do consumo da carne, e continuam, depois de uma pandemia, criticam-nos por não usar máscara na rua, mas continuam a comer o bife de cadáver ao jantar como se nada fosse e ainda dizem que não comem marisco por serem necrófagos, irónico… O ambiente nunca esteve tão poluído, tão minado, mais uma vez porquê, pecuária, e os mimados somos nós, que somos das gerações com mais veganos, que preferimos optar por mudar os nossos estilos de vida porque compreendemos que há mais seres vivos no mundo para além de nós, a isso chama-se altruísmo…

E hoje por fim vivemos com a ameaça eminente de uma guerra, logo a seguir a uma pandemia, a uma pandemia que podia ter sido evitada, mas que não foi, por uma questão de palato (é esta a parte em que me rio para não chorar), já estávamos a chafurdar na merda porque as pessoas preferem não respirar debaixo de uma camada de filtros do que parar de colocar veneno no corpo, não tiramos o chupa chupa aos boomers e aos x e pagamos por isso, um tirano, um ditador, cria uma guerra e alude a mentiras para a criar, e adivinhem de que geração é? Entre os baby boomers e a geração x, impiedoso, choram-se vidas, e como sempre esquecem-se dos inocentes, as vidas inocentes que não falam, não podem defender-se e perguntar porque é que foram esquecidas, os animais, fogem de tiros e metralhadoras com a cobardia de deixar para trás aqueles que levaram deliberadamente para casa (mas são muito corajosos dizem eles), “os animais não são vidas humanas” dizem eles, na maior ignorância que já presenciei desde que sei que existo porque tenho perfeita consciência que eles sabem, eles sabem que os animais sentem só que é mais fácil ser-se cobarde e um dia destes juro por tudo que hei de confrontar quem tanto nos criticou e perguntar: e então, já vivemos uma guerra, felizes?

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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