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Falta de carácter

É nestes dias que o meu coração entra em conflito, não porque eu não saiba que estas emoções estão certas mas porque tenho em mim dois sentimentos que não combinam nem nunca deveriam estar juntos no mesmo ser humano, mas é o que tenho em mim, um amor profundo que dilacera cada pedaço de cada pequena célula que compõe o meu ser, dilacera porque junto vem um desprezo, um ódio, uma repulsa que não se conjuga com este amor, que não combina com algo tão nobre mas que vive em conflito, umas vezes mais outras menos, dentro de mim desde que sei que existo.

Sempre estivemos em guerra, não me venham com merdas, as pessoas são malucas, monstruosas, e ás vezes até o que parece mais tolerante é aquele que fecha as portas de casa numa guerra e deixa o companheiro de uma vida toda para trás, á mercê do medo, totalmente indefeso e perdido, até mais do que uma criança, e deixa aquele que seria o melhor amigo de uma vida para trás com a desculpa de que não havia espaço ou tempo, atitudes de pura cobardia, de pura estupidez, porque se não há espaço para a nossa família então mais vale morrer já aqui, sozinha e de plena consciência de que fiz tudo para proteger aqueles que amo.

Para mim é assim, preto no branco, e uma pessoa que deixa um animal para trás, seja em que contexto for é uma merda de ser humano, e qualquer coisa que viva desde então deixa de me comover, de me causar qualquer empatia, porque são estas pessoas que vão matando cada pedaço de nós, que nos vão tirando a esperança num mundo melhor, e francamente não sei o que me mete mais nojo, se os que atacam e matam friamente, ou aqueles que fogem perante uma adversidade e abandonam aqueles que nada podem fazer para se proteger.

Hoje, senti aquele aperto outra vez, e no fundo de mim encontrei-me a suplicar para que fosse eu no lugar deles, para que fosse eu a sentir a fome, o frio, o abandono e todas essas coisas que me fazem segurar as lágrimas com força para que o Bruno não me veja a chorar, queria ter sido eu, queria agora não ter a capacidade de sentir dor e estar nesse nada, nesse vazio, esquecer que vivo num mundo lindo com pessoas de merda, que destroem tudo com desejos de ganância, de mais e mais, e quanto mais querem, mais ambicionam, mais desprezo, repudio, nojo tenho delas e grito dentro de mim, parem, parem de deixar um rasto de dor por onde passam, parem!

Que fechem a boca muito bem fechada, aqueles que só agora vêm perceber que o mundo está um caos, o mundo está um caos desde que abri os olhos a primeira vez e olhei em meu redor, o mundo está um caos e é culpa vossa, por isso parem de se queixar e tornem-se seres humanos melhores, deixem-se de merdas, não digam que a guerra começou agora quando os verdadeiros sacrificados não podem falar, nem chorar nem defender-se nas vossas mãos repletas de luxúria e desejos fúteis de prazeres rápidos, caralho sejam humanos mas parem de ser a merda de uns hipócritas!

Hoje, o meu peito está desfeito em mil pedaços e queria tanto, tanto, ter o poder de fazer mais, ter uma voz pela qual pudessem falar, dar-vos um abraço, fazer-vos companhia, fazer-vos sentir protegidos, mostrar-vos como deveria ser um ser humano nem que fosse apenas nos últimos momentos, hoje queria não pensar nem existir, porque a minha alma morreu mais um pouco juntamente com as vossas vidas, tão pequenas, tão frágeis e tão inocentes… Não há como perdoar isto.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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