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Hoje tive um sonho feliz

Hoje tive um sonho feliz, e o mais engraçado é que foi um sonho palpável, perfeitamente possível de ser real, sem manias de grandezas ou grandes extravagâncias, um sonho simples de liberdade, e ao sorrir e ao perceber que nesse momento a minha vida tinha mudado, pensei, porque é que eu não tive esse sonho antes.

Talvez tenha alcançado agora a humildade suficiente para entender que tudo na vida tem a ver com escolhas, e que não se pode ter tudo mas com os pés no chão podemos ter o mais importante para nós, e o mais importante para mim é ser livre e ter paz.

Vamos recomeçar só para que entendam bem o que me vai na alma e sei que vai na alma de muitas pessoas, tenho 33 anos, em breve farei 34, durante os últimos tempos tenho feito um checkup á minha saúde mental e estava mal até começar a mudar a minha vida, não tive a possibilidade de me formar, comecei a trabalhar desde muito cedo, sempre fui uma pessoa responsável e aplicada, contudo 16 anos no mercado de trabalho não me levaram a lado nenhum, 16 anos a lutar, a trabalhar afincadamente, a conciliar vários trabalhos para conseguir pagar contas, com muitas lágrimas, esgotamento e cansaço pelo meio, sobrevivi, mas não vivi, nem lá perto cheguei. Sempre fui uma pessoa mais revoltada porque passei por muitas coisas até aqui, coisas que me pergunto como sobrevivi até hoje, sempre questionei a “normalidade” das coisas e por isso não atraio muitas amizades pelo caminho porque tenho uma certa tendência a tirar as pessoas da sua zona de conforto mesmo sem querer, a violência doméstica, a pobreza extrema e falando de trabalho, o assédio laboral, o assédio sexual do qual nunca me pude defender, as injustiças, a desigualdade… Anos disto, anos de luta a mudar de empresa e a passar repetidamente sempre pelo mesmo filme, anos de luta e onde ainda assim fui tratada pela sociedade como uma jovem delinquente, até que um dia, tantos pontapés, tantos dedos apontados deixaram de ter qualquer importância para mim e deixei de dar a mínima para que os outros pensavam.

Este ano cheguei ao meu limite, já consigo safar-me a trabalhar em casa e estou terrivelmente feliz por isso, mas os aumentos terríveis, as rendas exorbitantes, o facto de ter sido a primeira vez em anos que usufrui de subsidio e ainda assim ter sido tratada com todo o desrespeito, mesmo estando a usufruir de 16 anos de descontos, quando todos sabemos que há pessoas que vivem vidas inteiras á custa do estado sem nunca fazer um único desconto, foram o meu limite, desculpem-me mas descarreguei na puta da gaja da segurança social que decidiu confrontar-me por não estar á procura ativamente de emprego, teve que levar comigo porque tratou-me como se fosse parte dessas comunidades que usufruem de rsis até ao final da vida e só sabem é instaurar o caos, vivi num bairro por anos e sei por ter visto com os meus olhos que esses eles não confrontam, disparei aos berros com ela, perguntei-lhe se sabia que eu tinha uma mãe que era vitima de violência domestica, que esta doente a mais de 20 anos e que nunca teve direito a merda nenhuma do estado, nem habitação social que vejo tantos a ter, nem o mínimo dos mínimos para sobreviver, perguntei-lhe se me conhecia de algum lado para fazer julgamentos de valor e porque é que não confrontava uns e outros da mesma maneira, não me levem a mal, isto não é nada meu, mas ultimamente ando uma bomba relógio e a puta mereceu porque achava que eu era uma miúda vulnerável que ia levar com as merdas dela calada, ainda á coisa de um mês conheci uma gaja numa ação de emprego que tinha tido mais um filho e que por isso ia ter que fica em casa mais não sei quanto tempo indeterminadamente, como a gaja era bairrista e falou-lhe num tom mais rude a mesma que decidiu descarregar em mim calou-se e engoliu em seco e durante a minha chamada fiz questão de lhe relembrar que eu posso parecer uma miúda mas que sei ser uma cabra quando quero. Quando acabei a chamada a voz da gaja tremia e mandei-a a enfiar a merda do subsidio no cu, desculpem-me a linguagem, porque só estava a recebe-lo porque achei que anos de assedio moral e de outros tipos que pelo menos tinham que me valer alguma coisa, anos sem uma única baixa, sem uma única falta, sem chegar atrasada ou faltar ao que fosse tinham que me valer receber alguma coisa por fim, e assim foi durante um ano, sabia que mais tarde ou mais cedo iria acabar, só não sabia que eu ia acabar por perder as estribeiras por me tratarem como uma jovem delinquente quando é tudo o que não fui nos ultimos anos. Acabado este pequeno desabafo respirei fundo e senti-me livre, ok, pensei, agora não tenho que prestar contas da minha vida a ninguém e esse é o lado positivo, o Bruno já faz contas de no inverno ir para fora porque há empregos temporários onde se ganha muito bem, e eu de repente, esta manhã, tive a ideia da minha vida que surgiu como a lufada de ar fresco que estava a precisar, depois de ter feito contas e investigado muito, porque ao contrário de quem me conhece pensa tudo o que faço na minha vida é muito bem pensado e sorri, sorri porque tudo o que ali estava era perfeitamente possível e “sonhável”, sorri e respirei o ar puro mais fresco e enérgico dos ultimos meses.

Sou a pessoa mais grata do mundo por ter o Bruno ao meu lado, ele é o meu melhor amigo e a pessoa com quem quero viver para sempre, e estou tão grata pelo facto de partilharmos os mesmos sonhos e de termos os dois um espirito tão livre e aventureiro, caramba, estou terrivelmente feliz, tive uma semana de merda que culminou nesta ideia, neste novo plano de uma vida que tem tudo para dar certo.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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