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Invisível parece

Invisível, pelo menos na forma visível, pelo menos é o que se quer mostrar em meio aos outros, de alguma forma não ouvir o que eu digo, não ver-me como sou ou não falar comigo tem os seus benefícios, claro, como se pode fazer amizade com uma pessoa que é antissistema? Ter-se-ia que enveredar pela mesma via, e questionar a ordem das coisas é complicado…

Antissistema sim, e posso dizê-lo com orgulho sem problemas sobre o que pensarão os outros disso, quando decidi mostrar quem era as pessoas certas afastaram-se e pouparam-me trabalho, as mais “desatentas” ficaram, por conveniência até que as expulsei da minha vida, porque nos meus pensamentos só cabe quem pensa em mim com afeto, porque de desafetos está o mundo cheio e do que eu preciso é amor, eu e todos, mas de amor verdadeiro, não desse mascarado em mentiras e pretextos.

Invisível porque vejo as coisas desagradáveis, não passo por elas e ignoro na esperança que por as ter ignorado acabem por desaparecer, na verdade até acredito que por vezes quanto mais fugimos de um problema mais ele tende a aparecer, e como vejo as coisas como elas são e o ser humano tem um grave problema de auto análise, frequentemente as pessoas fogem de mim como se um problema fosse, e na verdade até sou, porque desculpem-me mas não vou vestir um mundo com um arco-íris quando ele está virado de pernas para o ar, transformado em caos e guerra.

Tenho esperança isso sim, a esperança de quem vê o pior e acredita que mesmo remotamente, algo há de mudar, e os meus sorrisos quando florescem vêm do mais profundo da minha alma, não têm mentira nem esforço, são simples sorrisos, da mesma forma como as minhas lágrimas, os meus silêncios e as minhas revoltas. Não disfarço emoções só para não estremecer com a vida vazia dos outros, não evito sentimentos só para não sofrer, porque a ausência de sentimentos transforma-nos em pessoas ocas, vazias e desumanas, e sem emoções não nos vale viver.

Sou invisível sim, visível aos olhos de quem me ama e isso é tudo o que mais importa para mim, porque não preciso que ninguém me veja só preciso de sentir vida em mim e conseguir ver o meu reflexo todos os dias sem sentir vergonha e sim alegria em crescer e ser melhor.

Quero ser tão insignificante aos olhos de quem só vê o que paira em frente aos seus próprios olhos como uma gota de chuva no mar, que se mistura num oceano e transforma-se num nada e em tudo, no mundo e na vida, somos alma e matéria e eu quero renascer em luz, em sol, quero ser a folha que se arrasta no vento e faz com que a Khaleesi pense que ganhou vida e saia como louca a correr atrás dela, quero ser um resquício do bem e da verdade que restam no mundo aos olhos de quem a possa ver com os olhos da alma, sem filtrar nada, absolutamente nada.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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