Diário
Deixe um Comentário

O meu lugar no mundo

Não vou apagar o meu blogue, por mais pessoas que eu alegadamente magoe, este blogue é o meu quarto, o meu canto privado, o meu diário e a minha vida, e se uns se fazem de convidados do meu diário numa vida escrita e rabiscada aqui da qual não fazem parte, isso é problema deles, este espaço é meu, só meu, e só quem não entende a escrita é que pode criticá-la e querer aniquilá-la, não é preciso saber escrever mas compreender a escrita é o básico dos básicos, é preciso apenas pegar num livro cujo tema nos atraia e perdermo-nos por horas e horas nele, é só preciso isso para entender a escrita, era só preciso que houvesse menos big brother e mais cultura…

Não me importo de tornar público aqui o que me vai na alma, a maioria dos leitores do meu blogue são brasileiros, talvez seja o wordpress ou a minha forma de escrever, fico feliz de atrair essa cultura para perto de mim, sinto que é um povo mais simples e que acolhe melhor as diferenças, também tenho alguns leitores portugueses, mas regra geral e desculpem-me mas é verdade, por norma esses são os que vem aqui na ilusória soberba de acreditar que me podem julgar, logo eu que não desconvidei nem convidei ninguém para aqui e trato este blogue mais como uma necessidade gigante de extravasar o que vai na minha alma não vá um dia destes eu explodir em tantas sensações. Mas que soberba é essa, a de achar que podem mudar o que vai na minha cabeça em tom de julgamento quando eu exponho-me aqui, sem vaidade, sem reservas, tal como sou, quantos terão a mesma coragem, a de dar o rosto enquanto falam sobre tudo o que pensam sem camuflar nada?

Os senhores perfeitos estão por todo o lado nas nossas vidas mas quando temos um blogue eles comentam sempre em anónimo mesmo que nós saibamos precisamente de quem se trata (risos), é verdade, quem escreve com esta frequência com que eu escrevo por norma é introspectivo e observador, e eu gosto de observar para ter sobre o que escrever, nem faço de propósito, eu sou assim, acho que aprendemos mais em observar do que em falar e deitar palavras fora á velocidade estonteante que a maioria das pessoas o faz, como se palavras fossem lixo e não tivessem qualquer significado, palavras são na verdade tão importantes que selam o fim de algumas histórias sem que alguns intervenientes cheguem a perceber porquê, quando na verdade o porquê tem relação com o facto de se falar sem pensar em vez de pensar para falar.

Não somos adolescentes, somos adultos, então, a capacidade de falar e discernir não é algo que se pede só a um escritor ou a um pensador, pede-se a todos, todos os que chegam á idade adulta e têm que conviver socialmente cujos valores padrão deviam ser sempre o respeito pelo outro, mas como a maioria das pessoas pensa que ter o dom da palavra significa falar muito, perdem-se palavras mal pensadas aqui e ali deixadas para interpretação, uns anos depois, meses ou apenas semanas descobrem o poder da palavra da pior maneira, quebram-se laços que sempre foram frágeis, encerram-se capítulos inteiros por palavras mal pensadas aqui e ali, e é por isso que eu gosto mais de escrever do que falar.

Eu falo mal, é sério, eu não tenho jeito para me comunicar, não gosto de falar para muitas pessoas e detesto ter as atenções em mim, no entanto sinto que me comunico tal como quero pela escrita, e eu acho que expressarmo-nos bem não significa falar caro e palavras que ninguém entende, expressarmo-nos bem significa poder dizer as coisas tal como pensamos e ainda ficarmos orgulhosos de um texto bonito que no fim nos saiu inteiramente da alma.

Eu não tento camuflar nada quando escrevo, sou eu, a minha escrita sempre foi assim desde os meus 9 anos, uma forma incrível de libertação e reflexão, tomei as maiores decisões da minha vida a escrever, percebi muitas coisas a escrever, e se tenho o blogue aqui é porque adoro cruzar-me com outros escritores ou pseudo escritores como eu, adoro trocar opiniões e ler outros pensamentos, acho que a escrita é a prática da humildade e do auto conhecimento e por isso que se livre um dia de mais alguém me dizer que tenho que acabar com o meu blogue, eu não convidei ninguém para entrar na minha cabeça e ler os meus pensamentos, que se dirá então desse harém de pessoas que não gostam de mim (dizem eles) mas vêm ler e reler o meu blogue porque ficam intrigados, pois bem mas a cabeça é minha e com tantos livros em tantas prateleiras de tantas livrarias, com tantos blogues em tantos lugares diferentes, porquê ler a mim a quem tanto odeiam?

Estranho.

This entry was posted in: Diário

por

Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s