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As dores dos outros

Tomar as dores dos outros é um jogo um tanto injusto, há que não confundir amor com cegueira, amor com ignorância ou injustiça, aliás, frequentemente esses 3 problemas estão ligados ao ódio e ao medo, não ao amor, e como somos todos falhos, cobrir as falhas dos outros só porque os amamos sem questionar, aceitar os “inimigos” de quem amamos como nossos só porque os amamos, é não só estranho como caricato.

Eu posso dizê-lo porque as pessoas que mais amei, mais protegi e defendi foram as que mais me fizeram sofrer á uns anos atrás, os meus pais, até que a forma de deixar de sofrer foi tentar ver as coisas como se estivesse do lado de fora, foi aí então que percebi tantas coisas. Até aos dias de hoje não sei quem me diz a verdade, e continua o mesmo jogo do gato e do rato tantos anos depois, os dois proclamam-se vítimas, a diferença é que hoje já não perco o meu tempo a tentar perceber quem tem razão, essa é uma guerra deles e já sofri no fogo cruzado por demasiado tempo, nunca nos devemos meter na guerra dos outros por mais que nos doa.

Como já vos disse num post por aqui, inúmeras vezes fui vista como a megera, a pessoa má no meio de uma história onde todos eram inocentes, menos eu, e como eu sei a verdade posso dizer-vos que devemos dar sempre o benefício da dúvida aos outros, mesmo que as pessoas que estão á nossa volta passem a vida a dizer mal dessa pessoa, é no mínimo estranho que sem conhecermos alguém e apenas por palavras alheias façamos logo julgamentos de valor sem dar a hipótese de ver as coisas como elas realmente são, de ver as pessoas como elas realmente são, e criamos inimigos escusadamente, porque privilegiamos a ignorância em prol do conhecimento, tomamos como nossas as dores falhas dos outros até que um dia, em privado percebemos a podridão de alguém, viramos costas e dizemos adeus e vemos o mesmo acontecer conosco, de repente todo um rebanho de fiéis segue o caminho com a pessoa que mostrou-nos a outra face, mesmo que não tenhamos feito nada para que isso acontecesse, de repente temos meia multidão contra nós e nem sabemos dizer porquê, ou aliás, porque as pessoas raramente usam o que têm pousado no pescoço para pensar e preferem deixar-se levar ao sabor do vento, preferem acreditar a ir ao fundo da questão, porque isso dá mais trabalho.

Ironicamente, é assim que se perdem as melhores pessoas, com ignorância, com o tempo aprendemos que os que se afastam de nós sem nos conhecer, na verdade, não nos merecem conhecer se isso significa que estaremos sempre á mercê de critérios alheios e não ao critério de quem nos vê, ouve as nossas histórias e nos acompanha pelo caminho, confiar nas palavras vagas dos outros significa que frequentemente as pessoas não confiam nelas mesmas, e que preferem vender a alma ao diabo do que arriscar-se a falhar em julgamentos de valor.

Vivemos num mundo onde o enganado é mais julgado do que quem engana.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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