A mulher na sociedade, Diário
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O medo é um mentiroso

O medo mente, e de que maneira, e por isso é que a grande maioria de nós que sente ansiedade fica incrédulo ao pensar que a ansiedade surge por coisa nenhuma, e quando sentimos a ansiedade, o medo para ser mais específica, continuamos sem perceber porque o sentimos mas sentimos com cada pedaço do nosso corpo, o nosso coração salta do peito, as mãos tremem, suamos, a nossa respiração descontrola-se e a voz fica trémula.

Os livros de autoajuda mais ridículos que surgiram á face da terra só servem para nos atrapalhar, dizem-nos que devemos evitar o medo muito resumidamente, respirar fundo, contar até 10 e pensar em coisas bonitas, e quando não conseguimos tornamo-nos nervosos e ansiosos, falsos gurus diriam que não temos a dedicação necessária para controlar o medo, pois da minha parte posso dizer que tentei de tudo e mais alguma coisa até ter percebido que livros de autoajuda e gurus milagreiros eram a maior mentira da história, assim como é o medo, e que a esses ditos gurus dava muito jeito ter pessoas a sofrer de ansiedade e tão desesperadas por encontrar uma cura que devorariam qualquer conselho como se de uma cura se tratasse.

Já fiz meditação, acho que consegui fazê-lo durante um mês ainda, todos os dias dispendia uns 20 minutos para respirar fundo mas depois tinha que voltar para as minhas rotinas e para as minhas fontes de ansiedade portanto os efeitos da meditação lá se iam pelo cano abaixo, aliás, na verdade nem vos sei dizer se no exato momento em que a pratiquei ela tenha surtido o mais pequeno efeito que seja, percebi que chamam de meditação a muitas coisas que já tinha feito na minha vida e que não tinham por isso que se transformar em outra fonte de ansiedade, em mais uma tarefa para as minhas agitadas rotinas. No fundo foi isso que a meditação significou para mim, mais uma tarefa para adicionar ás minhas rotinas, uma tarefa aborrecida e que roubava o meu tempo “tenha consciência do seu corpo, respire fundo” dizia a voz suave e quase em sussurro que me deixava extremamente sonolenta, no entanto, se eu precisasse de ficar com sono tinha-me ido deitar, do que eu precisava era de paz não de alguém que me recordasse da existência dos meus pés e braços. Chamam de meditação ás mais diversas coisas, acho incrível, por exemplo, uma vez quando era adolescente para ganhar coragem para um dia incrivelmente difícil que ia ter, eu sabia que as bullies que me andavam a ameaçar iam tentar arranjar confusão comigo, antes de sair de casa olhei-me ao espelho e disse as vezes que fossem precisas que eu ia para a escola e não ia mostrar medo, só de o pronunciar sentia a minha respiração arfar, mas fi-lo, chorei, disse-o as vezes que fossem necessárias e na verdade nesse dia eu consegui enfrentá-las porque simplesmente foi uma das primeiras vezes da minha vida em que despi-me do meu ego e borrifei-me completamente para o facto de poder sair da escola direta para um hospital, eu estava tão cansada e chateada que já não me importava, a única coisa que eu queria que elas percebessem é que elas eram uma cambada de bullies á espera de receber alguma atenção. Nesse dia elas fizeram um circulo á minha volta mal tinha acabado de chegar, tamanha a coragem das mesmas, eu tremia por dentro mas cerrei as mãos enquanto um colega meu observava-me e perguntava-me se estava tudo bem, acenei que sim e perguntei-lhes qual era o problema delas comigo, de cabeça exageradamente no alto e com uma sobrancelha levantada confrontei uma a uma e perguntei-lhe se precisavam de tudo aquilo só para ter a atenção dos outros, elas entreolharam-se e ficaram sem reação porque eu nessa altura era uma pessoa que tinha medo do mais pequeno conflito. Posso dizer-vos que nunca mais tentaram nada comigo desde esse dia. Devia ter aprendido uma lição valiosa nessa bela manhã: quando nos despojamos do nosso ego, da nossa vaidade e encaramos os nossos medos tudo na vida fica mais fácil. Nesse dia fui para casa quase aos pulos de tanta alegria e a beliscar-me literalmente por não acreditar ter sido capaz, ouvi pela primeira vez a palavra que tanto me definiria daí em diante de alguém que sempre tinha me desdenhado: tens coragem! Supostamente nesse dia o que me fiz para me preparar foi meditar diria um guru, no entanto ninguém tinha-me ensinado a fazer aquilo.

Nunca me considerei uma pessoa corajosa, mas sempre pensei fora da caixa, e conforme na minha vida fui-me tornando mais e mais independente, percebi que eu era dona do meu próprio nariz ao contrário daquilo que me tinham ensinado toda a vida, apesar de ser mulher, eu podia ser dona do meu próprio nariz.

Os ataques de pânico seguiram ao longo da minha vida por mil e um motivos, por meses desapareciam até que surgia alguma adversidade e ali estava o meu coração acelerado, parecia que ia sair do meu peito, a respiração desritmada, o frio, a vontade gigante de chorar e gritar e o desejo de fugir do mundo para um lugar qualquer á parte, surgiam por motivos legítimos, mais ou menos, sempre lidei com atendimento ao público e se eu tivesse o azar de um cliente ser um pouco mais rude era quase como se tivesse uma metralhadora apontada á cabeça, o que é que eu fazia nesses momentos? E agora digo, malditos livros de auto ajuda “conta até dez, respira fundo, pensa num céu azul e blablabla”, desde quando é util para mim que um psicólogo, conselheiro ou whatever diga-me para lidar com uma situação fugindo da mesma? É no mínimo contraditório que eu tenha um cliente aos gritos na loja e enquanto o oiço e aceno tenha que pensar num céu limpo e azul… A sério?! Que grande ajuda….

A minha forma de lidar com o medo passou por várias fases, se no inicio tremia e logo depois da reclamação ia chorar para algum lado e descarregar todas as cargas negativas que tinha absorvido de pessoas horrorosas que não percebem que geralmente os empregados não tem a mais pequena responsabilidade sobre o que acontece numa loja inteira e nem podem mudar coisa nenhuma, nessa altura sentia-me triste e frustrada, cheia de ódio dentro de mim, um rancor que não me fazia bem e que eu não merecia, mas que eu guardava, eu deixava que o veneno das pessoas se acumulasse no meu corpo como uma toxina, aceitava calada. Mas como tudo o que é demais enjoa, a uma certa altura o cansaço começou a falar mais alto, e foi aí que mesmo sabendo que precisava seriamente de manter o meu trabalho percebi que a minha sanidade mental não sobreviveria a mais snobes idiotas com a mania que são donos de empregados de todas as superfícies comerciais só porque são de uma classe social dita inferior, perceberam bem, durante toda a minha vida as maiores fontes de stress foram o meu trabalho e a minha família, assim sempre que aparecia na loja já a gritar antes de ter passado a porta um idiota qualquer que tinha rasgado as calças no meio das pernas por ter ganho peso enquanto acusava a marca de ter pouca qualidade eu mandava-o escrever no livro de reclamações e ir pastar, porque logo percebi que as marcas arranjavam trinta mil artifícios para que nós funcionários fossemos o saco de pancada dos clientes com a esperança de que assim eles deixassem de escrever no livro vermelho… E ganho um salário mínimo para pagar um psicólogo? Pensava eu enquanto pensava em formas subtis de mandar o cliente á merda. Ainda assim nessa fase chegava a casa e chorava imenso porque se não era o cliente era o patrão que nunca tinha usado as mãos para dobrar uma camisola que se queixava de ter outra reclamação, quando me apetecia dizer-lhe que não era eu a ganhar um ordenado mínimo que tinha que dar satisfações a um cliente da qualidade das jeans que eu tinha na loja enquanto alguma outra pessoa só ganhava dinheiro e tratava do dinheiro, desculpem-me, podem criticar-me e dizer que o senhor que está sentado a tratar dos desenhos estudou imenso, mas eu acho que todas as profissões são necessárias e que todos devemos ser tratados com respeito.

Anyway, nunca tive jeito para lidar com reclamações, mas a última fase e vocês agora pensam “oh, oh…” era a fase em que estava literalmente a borrifar-me para tudo e que dizia não o que me vinha na alma porque nesse caso acabava a coisa bem pior, mas dizia o que achava correto, porque a certa altura tinha percebido que nada na vida valia que baixássemos a cabeça e perdêssemos a nossa dignidade, então, cheguei literalmente ao ponto de perguntar ao cliente depois de ele começar a disparar sem deixar-me respirar se quer se tinha acordado com os pés de fora da cama e se eu tinha alguma culpa do facto de ele estar infeliz. Quantas vezes em atendimento ao publico pronunciei a típica frase á qual infelizmente tanto me habituei “vai começar a falar calmamente ou quer que eu chame um segurança ou apresente uma queixa contra si?”. Sim, para quem não sabe, o cliente não pode tudo, e se forem ameaçadas por um cliente mesmo em contexto de trabalho, podem e devem fazer queixa em diversas situações, e nisto, se ele continuasse disparatar eu dizia “é que sabe, eu tenho pleno conhecimento dos meus direitos, portanto se quiser falar calmamente eu faço o meu trabalho mas ninguém me paga para que me faltem ao respeito”. É neste momento que os snobes de plantão percebem que até podem estar a lidar com uma pessoa de uma classe social mais baixa, mas também acabam por perceber que nem todas as pessoas baixam a cabeça perante alguém com os bolsos cheios, geralmente, estas pessoas nunca fizeram nada para ter o dinheiro que têm pois caso contrário não tentariam humilhar quem está a tentar começar por algum lado, e por essas e muitas outras razões é tão errado que deixemos que um patrão determine que baixemos a cabeça ao lidar com uma pessoa desta índole so para nao ter um livro de reclamações preenchido. A maioria deles acalmava a voz e relatava a situação, eu comecei a perceber que a maioria dos patrões que tive eram uma cambada de cobardes que não assumiam funções e jogavam tudo para cima dos funcionários, por isso, deixava-lhes um presentinho num e-mail, uma reclamação de um cliente ainda não formalizada á qual teriam que responder caso não quisessem eles ser responsáveis por uma folha a mais no livro vermelho, supostamente eu já teria feito a minha parte, que ao contrário do que me transmitiam não era deixar que o cliente me tratasse como um lixo só para evitar uma reclamação, mas sim ouvir o que tinham a dizer e passar essa informação para quem realmente podia fazer alguma coisa. Nesta última fase se um patrão meu reclamasse do email por escrito eu acabava sempre por dizer que da próxima vez faria uma chamada para ele e reencaminharia ali mesmo o cliente, fosse ou nao fosse dia de trabalho. É engraçado pensar que a maioria dos nossos patrões caíram de céu no cargo e também é engraçado vê-los a tentar lidar com os problemas diários de uma loja que nos despejam nas mãos com uma facilidade incrível, a sério, tentem colocar um snob betinho que nunca nem os pais lhe deram uma palmada a lidar com um cliente insatisfeito e nervoso.

É típico meu divagar não é? Mas calma, não estou a fugir ao assunto, nestes últimos anos percebi que o atendimento ao publico nao era para mim, estes snobes de plantão que tantas vezes deram-me tantas dores de cabeça conseguiram mudar a minha atitude perante os outros, perdi completamente o gosto pelo atendimento ao público, estive anos listada como a melhor vendedora nacional da empresa onde trabalhei até começar a ficar seriamente perturbada com o triste facto de perceber que nós funcionários seja de que empresa for, não passamos de um mero numero para a empresa e muitas vezes de um mero saco de pancada para os clientes, ás vezes, estamos a ouvi-los gritar não porque as calças de ganga se rasgaram mas por motivos completamente alheios a nós, mas porque a mulher em casa anda mal disposta, os filhos tiveram más notas… Enfim. A fraqueza, a nossa fragilidade sempre foram como sangue para tubarões, sempre vai ser assim, e se confiamos as nossas fraquezas e fragilidades a alguém e continuamos a ter o respeito e afeto dessa pessoa é porque temos a rara sorte de ter alguém que nos vê como um verdadeiro ser humano e ama-nos por isso. “O cliente tem sempre razão” é a frase que sempre me revoltou em toda a minha vida, e em anos de trabalho acreditem já tive que lidar com tudo, assédio, sim assédio, gritos, uns quantos completamente senis e abandonados pela família vinham procurar companhia em pessoas alheias, ou seja nós, e acham que o cliente tinha sempre razão? As grandes marcas com lojas em shoppings para as quais trabalhei querem meninas novas e bonitas exatamente por isso, as ingénuas que não vão encaminhar reclamações para patrões sabichões, e bonitas, atraentes, vistosas porque os homens que muitas vezes entram nas superfícies só para olhar para nós de forma absolutamente nojenta não vão ter coragem de reclamar com a esperança ténue da carteira deles servir de pretexto para nos foderem um dia destes, se calhar até compram qualquer coisa para se poderem aproximar de nós ou terem algum tempo extra para meter conversa, alguém que nos livre de nos salvaguardamos e mantermos a devida distância, significa logo que somos super antipáticas e não desempenhamos bem o nosso trabalho. Eu fui sempre a rapariga que era posta do lado de fora da loja para atrair clientes, e sim, quantas vezes foi-me dito que eu era muito bonita e só precisava de sorrir e entregar-lhes um flyer? “Pseudo prostituição portanto”, pensava eu enquanto ganhava um ordenado mínimo e fazia contas á vida, um ordenado que me mantinha presa num circulo de pobreza, que não me permitia estudar porque tinha contas para pagar e que assim obrigava-me a aparecer todos os dias para picar o ponto no mesmo lugar deprimente.

Foi quando perdi o juízo, neste mundo louco, que tive os momentos mais felizes da minha vida, por isso arredei pé dessa vida triste que é servir os outros de cabeça baixa e nunca mais admiti sentir que alguém se sentisse meu dono, patrão ou possuidor de coisa alguma sobre a minha vida, perdi o juízo verdade seja dita, mas perdi o medo também, a ansiedade pode estar lá mas já não entro em depressão e já não tenho que fazer vénias todos os dias a snobes habituados a que todos com medo lhes lambam as botas. São poucas coisas na vida das quais tenho medo, mas a de ficar sem dinheiro está completamente ultrapassada, pois prefiro passar por todas as dificuldades do mundo a sentir que estou a perder a minha vida em prole dos caprichos de alguém.

Os livros de autoajuda, a nossa família até, a escola, a universidade, o trabalho, todos á nossa volta e sobretudo conosco mulheres acontece todos ensinarem-nos que devemos ser submissas, aceitar, calar, sorrir, trabalhar…. Ninguém nos ensina que a coragem é só o primeiro suspiro e que depois disso somos tão mais felizes. Todos e os maiores problemas da nossa vida têm sempre a ver com o mesmo motivo: dinheiro, o facto de tantas vezes sermos apenas um número. Todos nos ensinam que devemo-nos calar perante um cliente para que ele não reclame, ninguém nos fala dos efeitos nefastos que isso tem na nossa vida aos poucos, todos nos dizem que devemos estudar no x lugar quando queremos algo completamente diferente, mas ninguém nos pergunta quais são as nossas vontades, ninguém quer saber se estamos num caminho para ser felizes ou o que nos faz felizes, todos nos aconselham a ter filhos e a casar com um homem que coloque dinheiro em casa, e por experiência própria, se não queremos ter filhos porque entendemos e ainda bem que a nossa única e absoluta função não é apenas parir e somos mais que isso é um “ai Jesus”, cai o carmo e a trindade, deixamos de ser mulheres, objetificam-nos como meras fábricas reprodutoras e romantizam todo o processo só para que consigamos ir até ao fim do obscuro objetivo que a sociedade tem de colocar uma criança nos braços de uma mulher, e enquanto nós nos reduzimos ao titulo de meras mães e deixamos de ser a Luísa ou a Susana para ser a mãe do Martim, os homens continuam a ter os seus cargos, a poder ter aspirações profissionais, a sair á noite, a ter enfim, a mesma vida, exatamente a mesma vida antes de todas as imposições caírem sobre nós, mulheres, leigas, não estudadas, parideiras de plantão mas puras até então. Ninguém nos ensina que temos que fazer as nossas escolhas, na verdade, se fazemos as nossas escolhas dizem-nos para o resto da vida que somos do contra, putas, malucas, até nos dizem que temos falta de sexo quando na verdade nem imaginam o que é um relacionamento feliz. Já pensaram nisso? Os homens têm a infeliz crença de que a pila deles é a solução para o azedume de algumas mulheres, quando eles nem imaginam que a vida sexual de uma mulher moderna é algo tão desenvolvido e tão mais explorado do que simplória vidinha deles a fazer o missionário com a mulher e a fazer umas quantas diferentes posições com prostitutas enquanto a mulher está de 8 meses grávida do terceiro filho. Ninguém explica aos homens que o azedume de algumas mulheres, algumas como eu, muitas vezes é apenas para eles e não para todo o resto da sociedade, porque sentimos o cheiro ao longe dos rebarbados de plantão que nos criticam em frente á família mas que nos desejam mal estejam em privado sem a hipótese do julgamento dos outros.

Com estes anos ganhei o gosto “obscuro” em descobrir que sou do contra em tantas coisas, e é assim que lido com isso hoje em dia, com uma dose de provocação e um cansaço acumulado talvez que me leve hoje a dizer: “não quero saber”. Não quero saber o que pensam de mim, não quero saber se posso falhar, não quero saber se ninguém mais concorda, quero apertar a mão ao medo, aquele que me tenta enganar tantas vezes e dizer-lhe que o meu ego existe sim, mas com peso e medida, sem ser demasiado, e que falhar está na mesa sim, mas se isso acontecer, aconteceu, faz parte da vida falhar, cair e levantarmo-nos.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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