A mulher na sociedade
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Quando a própria medicina esconde a verdade

Hoje a fazer um pouco de trabalho de pesquisa, dei por mim a ouvir um médico dizer num documentário que uma mulher que não quer filhos fazer a laqueação era por ele considerado como um ato de auto punição.
Fiquei um tanto admirada sobretudo por ser um médico a dizer algo deste género, quando precisamente a área da medicina é aquela que deveria elucidar qualquer mulher sobre os prós e contras de um parto e de uma gravidez. Mas enfim, não é novidade que a sociedade num geral nos tenta tapar os olhos diariamente quando fala sobre maternidade, sempre ocultando aquilo que por alguma razão nos pode fazer optar por não ter filhos, como se nós mulheres não tivéssemos o direito a saber inteiramente sobre vantagens e consequências de algo que nos é imposto e sobre o qual nos exigem que não hajam questões.
Mas um médico, um médico ocultar-nos a verdadeira maternidade e a verdadeira gravidez faz-nos questionar todo um sistema de saúde, faz-nos questionar se mesmo das profissões mais valorizadas e mais nobres afinal não será assim tão nobre e será mais questionável do que poderíamos imaginar.
Já é triste que um conjunto de pessoas que diariamente nos acompanham se inibam de falar de todas as mazelas, de todos os problemas que uma gravidez acarreta, e nesse conjunto, o mais chocante, as próprias mulheres, a guardar o “segredo” até poder lançar a bomba e dizer a uma semana do trabalho de parto: “pois é, não vai ser nada fácil”, quase que vejo tanto secretismo como uma espécie de vingança contra uma sociedade que nos empurra maternidade goela abaixo, como se nós, logo nós, tivéssemos alguma culpa disso.
Nos dias actuais é problemático dizem os médicos se uma mulher com 25 anos e sem filhos quiser fazer uma laqueação, mas se uma miúda de 18 anos tiver um filho todos ignoram que é no fundo uma criança que ali está, o aborto, o aborto está fora de questão, as pessoas são tão pudicas que ignoram um dos factos que veio à tona nas poucas vezes em que a medicina não nos quis tapar os olhos com uma peneira, um feto só sentirá o que quer que seja com 10 semanas de gravidez, o que significa que antes disso não é necessário qualquer sentimento de culpa ou implicação moral, pois há uma vida que ao contrário daquilo que a sociedade transmite também tem valor, a vida da suposta mãe, a vida da mulher.
Mas não, não temos maturidade para decidir fazer uma laqueação com 25 anos, mas se quisermos ter filhos com a mesma idade de repente essa maturidade cai do céu e se nos deixarmos levar por uma sociedade onde as mulheres são úteros ambulantes com meras funções reprodutivas, temos que aceitar que num determinado momento deixaremos de ter a pouca importância que tínhamos, porque a partir desse dia a mulher é toda para o filho e o filho tem toda a importância do mundo, e é a prioridade dela.
Eu sou tão egoísta que não me revejo numa forma de vida que continue a ser a minha vida mas onde eu tenha sido passada para segundo plano, eu sou tão egoísta que não vou colocar uma criança no mundo só para que essa criança supostamente cuide de mim quando eu envelhecer, e por fim, perguntam-se vocês, onde está o papel do homem no meio de tudo isto?
O homem continua a ser o homem que sempre foi, só que agora pode dizer que é mais homem, mais macho, mais tudo, porque se nenhuma mulher tem a capacidade de falar dos traumas de uma gravidez, o homem, esse vive totalmente inseguro da sua masculinidade, ao ponto de ser egoísta e querer ser pai sem ter o mais pequeno conhecimento do que é para uma mulher gerar um filho. Afinal para quê estudar o assunto se é a mulher que vai parir, se é a vagina da mulher que cortam, se são os seios dela que doem, se é a barriga dela que ganha estrias, se tudo o que acontece é com ela?
Pois é, e só para terminar, é essa saga selvagem um pouco estranha para o século XXI a que muitos chamam de amor entre duas pessoas que só é validado e credenciado se levar com um selo de maternidade romântica por cima.
Irónico, estranho…

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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