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Alguma humanidade

Não sei ser outras coisas, não sei encenar, não sei fazer de conta, não sei mostrar outra coisa que não seja apenas aquilo que sou.
E num abismo constante, com tanto, tanto que nunca consigo parar de pensar, eu sou tantas coisas, tantas versões que tu ainda não conheces.
Talvez às vezes um pouco bipolar mas nunca contraditória, porque as coisas em que acredito são verdades absolutas para mim, verdades que uns dias são boas, outros toleráveis e em outros insuportáveis. Mas são sempre verdades, verdades que me definem.
Às vezes gostava de saber mentir, de ser perspicaz ao ponto de me enganar até a mim mesma, mas a verdade permanece tão presente que causa repudia a qualquer tentativa de a distorcer.
Às vezes desejo no mais profundo de mim ser uma pessoa má, daquelas que engana, mente, manipula e encena como um profissional, mas a maldade sempre foi algo que não consegui digerir. E eu já tentei, a sério que sim, mas a maldade é inofensiva só para quem a pratica sabendo que é como uma doença que se entranha e que se recebe com gosto e falsas garantias de que essa maldade nos proteja da maldade dos outros. Irônico não é?
Mas eu simplesmente não consigo, não consigo ser assim, como sempre que tentasse fizesse ricochete sobre mim e me atingisse mais a mim do que qualquer outra pessoa.
Às vezes odeio-me tanto por todas as vivências passadas não terem arrancado a minha capacidade ridícula de perdoar e amar, vezes repetidas sem olhar ao cansaço que se acumula sobre mim. Queria ser uma dessas mulheres de armas que se defende a si própria melhor do que qualquer homem o faria sabem? Uma daquelas que dá um estalo impulsivo a quem se atrever a tenta-la ferir. No entanto, sempre que agi sem pensar, sempre que o fiz só por deseja-lo muito, senti que tinha sido uma experiência fora de mim mesma, uma tentativa vã de ser qualquer outra coisa. Como um peixe fora de água…
Sei que vivo numa sociedade que não foi concebida para amar, sei que, o amor de que se fala não passa de um palavrão na boca dos mais leigos por acharem que amar é algo que está na moda e que por isso se tenta.
Mas o amor não se tenta, o amor é o respeito absoluto por tudo o que vemos belo e paira à nossa frente, é saber que o nosso coração se agiganta perante essas coisas tão belas que teimam em sobreviver numa sociedade que apodrece a cada dia.
É algo que testa os nossos limites e que às vezes queremos arrancar do peito como ignorantes que somos por pensar que ele nos deixa assim, sem dar luta, sem levar uma parte de nós.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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