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Acumuladores

Não percebo porque é que as pessoas encaram o facto de acumular coisas como algo positivo. Sim, sim, ao ouvir o que acabei de dizer muitas pessoas diriam “ah mas eu não acumulo coisas, só tenho o necessário” e tu lá respondes com um “ah, sim?” extremamente convincente, e quando dás por ti em casa dessa pessoa vês que ela tem uma pilha de coisas em cada canto da casa! Uma pilha de toalhas quando só lá vivem duas pessoas, uma pilha de pratos quando nem há espaço na mesa para tanto prato, mil e uma roupas já muitas delas sem uso há anos e mil e uma coisas do mesmo género, e no entanto, sem olhar ao caos que é arrumar uma casa cheia de pilhas, as pessoas vão acumulando mais e mais como se acumular o que quer que seja fosse estatuto ou sinal de riqueza.
Olho para mim e definitivamente não quero o mesmo, sim, sim eu tenho os meus vícios, a maquilhagem e tudo o que seja cosmética é um luxo a que me permito, e só, e foi como ouviram, é um luxo consciente a que me permito, porque gosto de cuidar de mim e é um hábito que as mulheres portuguesas deviam ter com mais frequência. No entanto já outras pessoas ocupam divisões de casa vazias, compram mobílias para guardar coisas acumuladas, e vivem vazias mesmo com tanta coisa que têm em casa, definitivamente o consumo é uma compulsão mas não se deve culpar só a publicidade, o marketing, blablabla, as pessoas também têm que ter consciência de si mesmas, e julgar que precisamos de mais um jogo de cama quando já temos suficientes lá por casa a contar com um convidado imaginário que possa por lá passar não é só estúpido, é problemático. São essas pessoas com necessidades inventadas que vão apinhar os centros comerciais com uma urgência de comprar incompreensível, e depois porque lá vão acumular mais tralha e perder mais dinheiro em coisas. Isto não aconteceria se ter “estatuto” hoje em dia não fosse tão exageradamente valorizado, mas é, e mesmo na maior das pobrezas as pessoas querem ostentar, querem mostrar, querem poder andar de nariz no céu e precaver qualquer espaço vazio que haja lá por casa só para dizer “eu quero, posso e mando”. Se as pessoas tentassem enriquecer mais o que são e deixassem a ilusão que por ter alguma coisinha aqui e outra ali são mais do que alguém sentir-se iam muito mais preenchidas, muito mais gente. Se as pessoas largassem paradoxos e fossem mais elas próprias não haveria tanta depressão, tanto preconceito, tanta arrogância…
Aí é que está, acumular coisas diz muito sobre as pessoas, muito mesmo…

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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