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Sou um lobo na pele de um cordeiro ferido.

É demais, já enjoa, mas andam tão a leste com a vida dos outros que nem reparam no que andam a fazer, nem tem tempo para as suas próprias e provavelmente aborrecidas vidas de tão obcecados que andam com as vidas, precisamente, alheias, as dos outros, provavelmente nunca lhes ensinaram em casa que meter o nariz onde não se é chamado é FEIO, os provérbios estão muito bem feitos, e este literalmente diz : onde não se é CHAMADO, ora como eu não me lembro de ter chamado seja quem for para dar opiniões pergunto-me se o nariz dos outros não estará comprido demais e que por isso é que tenha chegado cá por estas bandas. Se estou a acusar alguém de mentir? Não, nem por isso, mas acho que os narizes também devem crescer com a dissimulação, que, por sinal, considero mais feio ainda que uma seca mentira com um propósito só, porque pessoas dissimuladas são subtis, silenciosas, ágeis como cobras que se camuflam, enrolam ou observam em qualquer lugar sem dar nem sinal, e se a mentira chateia-me já a dissimulação enoja-me.

Os dissimulados ás vezes até as vitimas confundem, talvez vitima seja uma palavra drástica mas sempre preferi uma banda de cera quente que fosse puxada depressa do que uma pinça que mais lenta e sorrateiramente nos vai impingindo a mesma dor, nunca gostei de pensos rápidos, mas se é para ser difícil que seja, que doa, que seja tudo de uma vez, porque é uma ilusão acreditar que panos quentes nos fazem bem e nos acautelam mais, porque prefiro a dentada de uma cobra do que o aperto de uma jiboia que sorrateiramente se aconchega ao nosso corpo e num gesto que parecia afável nos sufoca e mata com uma lentidão assustadora e tortuosa. Como dizia, os dissimulados confundem as vítimas e por momentos as mesmas não sabem dizer se são de facto “vítimas” ou não estarão a fazer uma tempestade num copo de água, mas cedo caem essas dúvidas quando percebemos que lentamente a nossa paciência foi desaparecendo.

Para piorar o cenário, eu já fui daquelas pessoas que engolia todos os sapos até não aguentar mais, e isso foi tão nocivo para mim que hoje em dia os sapos de antes ainda não desapareceram, o que significa que qualquer “picada” por mais indefesa vai me chatear como sendo a milésima, o que por um lado até é bom, já que as pessoas que nos pisam uma vez ( e esta a vida ensina), pisam duas, pisam três, pisam as vezes que puderem, porque pisaram uma e ninguém disse nada. Já estou habituada a ser a má da fita, hoje em dia isso já nem ocupa os meus pensamentos, estou bem segura da minha bondade e capacidade de ajudar os que me são leais, sei bem que quando reajo de uma forma mais negativa é porque a pessoa fez algo bem feio e sem volta, por isso pode bradar aos ventos que eu sou a megera, chorar, espernear, implorar, que a maldade vai continuar ali, a essência da pessoa vai permanecer até a vida lhe ensinar, não eu, que a humildade é necessária para se conviver com outros seres humanos.

Já que falávamos de cobras, eu que pensava que era um coelhinho inofensivo e á mercê de ataques, afinal sou um tubarão que foi coelhinho por muito tempo e cresceu numa onda de cansaço e pancada, o engraçado é que ainda visto a pele de coelhinho o que atrai as jiboias de plantão por julgar a minha vulnerabilidade pela “capa” fofinha e peluda que eu visto, e esse confesso é um aspecto que eu adoro e que me permite facilmente distinguir as cobras dos demais, sim, talvez seja o mais típico ainda, lobo em pele de cordeiro, não significa que eu vista a pele de cordeiro, significa que os que me atacam querem ver uma presa porque só vêm a minha capa quando na verdade não imaginam o que já vivi e passei, o que me transforma em lobo para as suas próprias amarguras, e depois, apelidam-me de falsa, dizem que visto capas e uso máscaras quando na verdade são eles tão desprovidos de humanidade que preferem fazer uso de atitudes primitivas a simplesmente respeitar e amar o próximo, quando na verdade eu não tenho culpa de ter sido um cordeiro por tanto tempo que descobri que tinha um lobo a viver dentro de mim, um lobo que só nasceu porque o cordeiro não se sabia defender sozinho. Eu só ataco para me defender, e é essa a diferença da qual me orgulho tanto, eu não ataco por atacar, eu não perco tempo com o mal só porque é a única coisa que habita em mim, todos temos um lado negro, todos nós pelas mais diversas razões e o meu só vem á tona quando é mesmo preciso.

Dito isto, temos um problema, é que o meu lado negro tem vindo á tona ultimamente porque a minha paciência tem limites, o cordeiro tem precisado de descansar e o lobo quieto e sossegado sentiu de repente o cheiro a algo putrefato, imundo e indigno. Quando o cheiro está perto tudo o resto também está, e eu, gosto de abrir a porta da minha vida aos convidados, não gosto que arrombem as portas e se façam de convidados.

Vou deixar-me de metáforas desculpem, mas como vêm estou chateada, ora dá-me para o sarcasmo ora dá-me para isto, mas tudo não passam de tentativas de camuflar e evitar que o pior de mim venha á tona um dia destes porque aí está, se é que me faço entender, ninguém bateu á porta! Como também sinto algum desprezo pela fama a minha vida não faz parte de uma revista cor de rosa, o meu dinheiro não vem do zé povo, e ainda que viesse facilmente descartar-me-ia de alguém em prol da minha liberdade, não percebo o interesse pela minha vida, as beatas de plantão adoptam diferentes formas e géneros na esperança de que eu burra não perceba, ás vezes é bom ser tomada por idiota, é que eu percebo mas as beatas acham que não. Respiro fundo e conto até 10 até que cai o próximo boato, a coscuvilhice seguinte, quase que lhes sinto o bafo azedo e quente, lavassem a boca com sabão e faziam um melhor serviço á sociedade. O bom das beatas é achar que sabem tudo quando só vêm o superficial, é não terem a mais pequena noção da veracidade do boato e ainda assim propagarem-no como uma fonte sem fim de ignorância e maldizer, coisa típica de gente analfabeta e que tem pouco mais que fazer do que falar da vida dos outros, acham que fazem bem em falar do que sabem quando consta que a maior percentagem da história não sabem, nem querem saber, falando da natureza outra vez são como necrófagos que só “comem” o que está putrefato, do resto, nem querem saber. E coram, coram como virgens ofendidas quando as confrontamos porque não é suposto, a sociedade não nos admite a nós mulheres confrontos, temos que ser as princesas aladas burras e analfabetas cujas aspirações sejam apenas as lides da casa, se temos mais tomates que os homens, desculpem-me o palavreado, cai-lhes o queixo, criticam, criticam, mas uma coisa é certa, tudo pelas costas, respeitam nos o cu como a um coronel e mal arredamos pé falam do que não sabem para ter com que se entreter, infelizes beatas, não têm outras aspirações se não sonhar com as vidas dos outros de quem tanto falam, e falam tanto e com tanta ignorância que um dia perdem todos os que amam porque como todos os boatos e más noticias, correm rápido até aos lugares mais recônditos, chega sempre o dia em que por azar cospem veneno para cima ou o lobo fica com demasiada fome.

Tantas metáforas, tanto azedume num post, tanto sarcasmo mas não conseguem parar de ler o meu blogue, o conteúdo que aqui vai faz tão pouco sentido mas é tão digno de leitura, engraçado, quando algo não me faz bem eu distancio-me, mas eu, a megera, sou tão má, tão crítica, aponto tanto o dedo aos outros (os outros que me apontam o dedo) e no entanto atraio tantos leitores inesperados, tantas críticas vazias. Já cortei tantos laços que não me faziam bem e assemelhavam-se mais a nós, com facilidade, fechei portas e segui caminho mas o engraçado é que as pessoas que não gostam de mim não conseguem virar a página com a mesma facilidade, não querem, provavelmente, de certa forma acho que é o apego á critica, á ignorância, a crítica ao outro mantém-nos ocupados e impede-nos por tantas vezes de nos olharmos ao espelho, talvez seja isso, talvez falte coragem para encarar as suas próprias falhas e por isso percam tanto tempo a contemplar o outro e (risos) a corrigir o outro como se fossem deuses divinos perfeitos no seu todo e tivessem algum direito que fosse de corrigir o outro. E eu, enquanto ocupo-me a corrigir as minhas próprias falhas como ser humano imperfeito que sou, sorrio, ciente de que as pessoas só sabem de mim aquilo que eu disponho nas prateleiras, e que tudo o resto é resguardado e protegido dos olhares curiosos, e eu sorrio quando as pessoas tentam falar sobre mim e tudo o que falam vem com sérias falhas de verdade. O ridículo está lá, sabem que sim, mas continuam a crítica que seria o equivalente a eu tentar manter um diálogo sobre futebol, caso para dizer que algumas pessoas de boca calada são completas obras de arte.

A arte do silêncio deveria ser ensinada aqueles que nada de interessante ou útil têm para dizer, a tranquilidade, a moderação, atitudes de pessoas humildes e que sabem estar no seu lugar, no lugar em que cuidam das suas próprias vidas e deixam a dos outros ás suas próprias decisões. Á falta de afetos somam-se mais e mais atitudes que atiram frequentemente para a solidão aqueles que tanto se queixam dela, porque a amizade dos outros conquista-se com respeito e confiança, e onde há mexericos não há confiança, onde se fala demais não existe moderação, e se gestos aproximam, gestos de boa vontade, palavras têm o poder de criar distâncias que muitas vezes nunca mais se regeneram, o castigo dos que se dizem sozinhos mas criaram a própria solidão, o castigo de quem escancara a vida dos outros sem ser convidado ou sem paciência para esperar um convite.

Talvez eu, devesse e seria esta a melhor atitude, não falar sobre o assunto, mas perco essa vontade quando os outros impõem, que eu, ao ver a minha vida na boca dos outros ser envolta em suposições sem sentido, fique calada a fazer de conta que não ouvi coisa nenhuma. E eu, que não tenho orgulho algum nessa arte de se dissimular a verdade, não consigo disfarçar, não consigo fingir que no silêncio tranquilo onde estava a organizar a minha vida de repente a ignorância dos outros não me cause uma certa vontade de mostrar mais uma vez que a proteger a minha vida sou um lobo e não um cordeiro. Era só o que faltava que eu, logo eu, que sou alvo dessas histórias fantasiosas e cheias de falhas, ficasse calada sobre a minha própria vida, a coisa mais valiosa que possuo, enquanto os outros não sabem remeter-se ao silêncio sobre as vidas alheias só porque as suas não têm qualquer motivo bom ou mau de ser faladas. É isso que acontece quando não vivem, perdem o interesse nelas próprias para passar a viver, nem que em pensamentos, a vida dos outros.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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