Month: Março 2022

Respeito pela dor e pelas palavras

Quando as pessoas praticam solidariedade ou mostram empatia com um esforço tremendo, isso significa que não sentem de facto empatia e que cedo esses sentimentos de carinho e compreensão pelo próximo se dissipam da mesma forma que passa uma moda ou acabam de ver uma série de tv. A empatia cultiva-se, sim, isso está certo, uns têm-na mais interiorizada outros menos, mas há entre nós aqueles que não têm se quer uma capacidade empática e que por isso é preciso um esforço colossal na hora em que é necessário mostrar alguma empatia, e se ela passa, cultiva-se, pensa-se nela novamente, caso contrário falhamos como seres humanos porque é essa uma das características que mais no humaniza, porque se não queremos pensar ou cultivar empatia então desculpem mas são más pessoas, não são empáticos só porque naquele dia decidiram pensar no assunto, são, numa forma mais subtil de abordar a questão no mínimo dos mínimos preguiçosos, porque a empatia envolve sofrer com a dor dos outros e senti-la ainda que em menor escala, e se o …

Deuses e humanos

A sociedade precisa de distrações, de ser feliz, de sorrir, de se esquecer do trabalho, isso é ponto assente, claro, mas a forma como o faz diz muito sobre ela, o que fazemos no tempo de lazer diz muito sobre nós, e eu tenho uma certa dificuldade em entender tempos de “lazer” ocupados por futebol e big brother ou novelas, e coloco lazer entre aspas porque para mim isso é sinónimo de tortura medieval. Não conseguiria passar uma tarde inteira da minha folga a assistir a um jogo de futebol, e não venham com alegações machistas, joguei imenso futebol e pratiquei imenso desporto quando era miúda, não é por não entender o desporto que desculpem-me porque meia dúzia de gatos pingados com a barriga inchada a beber cerveja e a lançar perdigotos e palavrões enquanto assistem um jogo de futebol significa muita coisa menos que sejam grandes desportistas salvo raras excepções. Já repararam? Não praticam desporto nem nada que se pareça mas acham que entendem muito sobre o assunto e é por isso que no …

O meu lugar no mundo

Não vou apagar o meu blogue, por mais pessoas que eu alegadamente magoe, este blogue é o meu quarto, o meu canto privado, o meu diário e a minha vida, e se uns se fazem de convidados do meu diário numa vida escrita e rabiscada aqui da qual não fazem parte, isso é problema deles, este espaço é meu, só meu, e só quem não entende a escrita é que pode criticá-la e querer aniquilá-la, não é preciso saber escrever mas compreender a escrita é o básico dos básicos, é preciso apenas pegar num livro cujo tema nos atraia e perdermo-nos por horas e horas nele, é só preciso isso para entender a escrita, era só preciso que houvesse menos big brother e mais cultura… Não me importo de tornar público aqui o que me vai na alma, a maioria dos leitores do meu blogue são brasileiros, talvez seja o wordpress ou a minha forma de escrever, fico feliz de atrair essa cultura para perto de mim, sinto que é um povo mais simples e …

As dores dos outros

Tomar as dores dos outros é um jogo um tanto injusto, há que não confundir amor com cegueira, amor com ignorância ou injustiça, aliás, frequentemente esses 3 problemas estão ligados ao ódio e ao medo, não ao amor, e como somos todos falhos, cobrir as falhas dos outros só porque os amamos sem questionar, aceitar os “inimigos” de quem amamos como nossos só porque os amamos, é não só estranho como caricato. Eu posso dizê-lo porque as pessoas que mais amei, mais protegi e defendi foram as que mais me fizeram sofrer á uns anos atrás, os meus pais, até que a forma de deixar de sofrer foi tentar ver as coisas como se estivesse do lado de fora, foi aí então que percebi tantas coisas. Até aos dias de hoje não sei quem me diz a verdade, e continua o mesmo jogo do gato e do rato tantos anos depois, os dois proclamam-se vítimas, a diferença é que hoje já não perco o meu tempo a tentar perceber quem tem razão, essa é uma …

Seremos sempre jovens delinquentes

Existe a ideia frequente de que por sermos jovens não temos as ideias no lugar, bem no meu caso e do Bruno jovens bem adultos, jovens independentes que pagam contas á anos sem viver dependentes dos pais, no meu caso, á mais anos ainda e ainda assim ás vezes não deixo de sentir que as pessoas continuam a olhar para nós como se fossemos delinquentes, o que é deveras engraçado, pois durante estes anos eu e o Bruno temos sido muito responsáveis a gerir a nossa vida, e embora não devamos contas da nossa vida a ninguém, chateia-me que ainda tenhamos esse estigma em nós. Uma das coisas que nos torna mais conscientes e responsáveis ( e com esta já estou preparada para cair-me tudo em cima) é o facto de não termos filhos, há quem pense que fiz uma lavagem cerebral ao Bruno para que ele optasse por não ter filhos (apesar do útero ser meu para não dizer outras coisas) mas tudo o que fiz foi o que todos os casais deviam fazer, …

Des [confiar]

Ás vezes a melhor forma de percebermos se o mundo está de pernas para o ar ( já todos sabemos a resposta a isso) é olharmos para o nosso eu enquanto crianças e pensar em como reagiríamos se lhes contássemos algumas coisas. “Sabias que nem sempre quando as pessoas fazem bem é com boas intenções?” Diria eu hoje, e provavelmente o meu enquanto criança ficava “hm? Não são as pessoas que fazem coisas boas que são as boas?”, e tu num encolher de ombros perguntar-te-ias como se explica a uma criança algo que não tem a mínima explicação mas ainda assim acontece… As lógicas necessárias para entendermos e sobrevivermos a um mundo onde todos farejam á procura de uma presa são difíceis de entender quando acabamos de chegar a este lugar estranho que se chama mundo, vamos aprendendo com o que vemos e pior, com o que nos acontece. Podemos ler mil manuais diferentes mas não há nada que nos ensine melhor do que a vida, as coisas que acontecem conosco e que ninguém nos …

Mexericos

O grande problema, no geral está no facto de as pessoas não reconhecerem a liberdade das outras, de querer por querer que todos sigam o mesmo rumo quando todos temos aspirações diferentes na vida. Uma coisa é criticarmos alguém que passa a vida a infernizar a vida dos outros, outra coisa é de repente termos problemas só porque optámos por caminhos diferentes dos demais. Há quem diga que magoamos os nossos pais quando escolhemos uma carreira não tão lucrativa por exemplo, mas se não podemos escolher qual a profissão que vamos exercer o resto da nossa vida onde está afinal a nossa liberdade? E não será uma falta frequente de maturidade dos progenitores achar que a vida dos filhos para sempre lhes vai pertencer? Nunca quis ter filhos mas aqui está uma coisa que acho que quase ninguém compreende: pais são meros interlocutores entre o mundo e os filhos, não são donos ou possuidores dos filhos como se de coisas se tratassem, não decidem o destino deles ou que personalidade vão ter, são meros intervenientes, …

Inacreditável

Não consigo perceber, a sério, para bem da minha sanidade mental, pelo menos no meu caso só que eu devo ser de facto uma pessoa muito estranha, quando sinto que alguém não gosta de mim ou quando eu por ter as minhas razões não gosto de alguém, sim, porque eu não sou daquelas pessoas que não gosta de alguém sem uma razão, cada pessoa que afastei da minha vida sabe os motivos, sem sombra de dúvidas, por mais que os guarde para si, mas como dizia, quando o sinto, essa necessidade de me proteger afasto-me, simples. Não há motivos para manter alguém nas nossas vidas se simplesmente não existe a mais pequena amizade de ambas as partes, e ainda que não haja uma inimizade, que me resta mais fazer do que dizer apenas olá e seguir com a minha vida? Se não há tema de conversa, assunto ou coisas em comum porque é que eu hei de fazer conversa com x pessoa só porque é a pessoa importante do sitio x? Vejo-me dos dois lados …

O medo é um mentiroso

O medo mente, e de que maneira, e por isso é que a grande maioria de nós que sente ansiedade fica incrédulo ao pensar que a ansiedade surge por coisa nenhuma, e quando sentimos a ansiedade, o medo para ser mais específica, continuamos sem perceber porque o sentimos mas sentimos com cada pedaço do nosso corpo, o nosso coração salta do peito, as mãos tremem, suamos, a nossa respiração descontrola-se e a voz fica trémula. Os livros de autoajuda mais ridículos que surgiram á face da terra só servem para nos atrapalhar, dizem-nos que devemos evitar o medo muito resumidamente, respirar fundo, contar até 10 e pensar em coisas bonitas, e quando não conseguimos tornamo-nos nervosos e ansiosos, falsos gurus diriam que não temos a dedicação necessária para controlar o medo, pois da minha parte posso dizer que tentei de tudo e mais alguma coisa até ter percebido que livros de autoajuda e gurus milagreiros eram a maior mentira da história, assim como é o medo, e que a esses ditos gurus dava muito jeito …

Mais minimalismo, menos caos

Nem imaginam a paz que foi reduzir as minhas rotinas diárias para um terço. E quando chega a altura de deitar fora uma embalagem de cosmética vazia? Deitá-la fora sabendo que nunca mais vou ter comprar uma igual só porque sim. Reduzi a minha maquiagem a um terço e estou feliz, fico preparada mais depressa, gasto menos dinheiro e o engraçado é que ninguém repara. Não se iludam, eu continuo a ser vaidosa, eu adoro cuidar de mim, a diferença é que agora o gosto voltou e deixou de ser uma imposição social. A diferença é que sinto-me mais leve agora e deixei de pensar que tudo o que eu puder fazer para ficar bonita é necessário, até aquilo que eu fazia todos os dias e que no entanto não fazia qualquer diferença eu continuava a fazer, como se a indústria é que tivesse sempre razão, a indústria para além de nos impingir 30 mil coisas diferentes ainda nos quer impingir coisas caras e com um custo beneficio bastante injusto para o consumidor. Uma youtuber …