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Os donos dos narizes dos outros

Tenho uma regra que evita fazer com que eu caia no ridículo, só falo sobre o que sei, e assim, poucas vezes existe margem para erro, mesmo assim, mesmo com esse cuidado e com essa educação perante o outro, posso falhar, o que se dirá então de alguém que fala sobre as coisas sem propriedade.

Á uns dias publiquei no facebook uma opinião sobre a forma como a saúde influenciava as nossas rotinas, o foco foi o exercício físico, e heis que uma pessoa que me tinha conhecido á dois anos atrás e cuja convivência foi um ou dois jantares entre amigos comenta com o Bruno: “mas ela só agora começou a treinar.” Não, não existiu qualquer hesitação, qualquer reflexão antes de alguém proferir uma das frases mais descabidas sobre mim, e por isso a resposta, está até aos dias de hoje entalada, só não respondi imediatamente por respeito ao Bruno, e porque não queria que ele ficasse com mau ambiente numa amizade que eu sei que tem-lhe custado muitas desilusões.

Para terem uma pequena noção do ridículo a que as pessoas se sujeitam quando querem falar dos outros sem conhecimento, e falam porque sim, porque as suas vidas são tão vazias e comuns que não existe nada mais interessante que a vida dos outros, o desporto foi uma constante na minha vida, cresci numa aldeia, a jogar futebol, a andar de bicicleta, já fui muitas vezes até á Serra da Arrábida desde o Barreiro de bicicleta com o meu pai, outras íamos de mota, lá perto de casa, haviam mesmo trilhos próprios e obstáculos para quem gostava de andar de bicicleta, passava horas a descer e a subir rampas, a dar voltas ao parque da cidade e tive muitos dias em que ficava só mais um pouco a ver o pôr do sol, na escola o meu forte sempre foi o atletismo e velocidade, por isso é que participava em todas as competições, adorava Voley mas não era bem o meu forte, ainda que tenha chegado ás competições, quando acabei os estudos o desporto continuou, aliás, essa foi uma das minhas preocupações: acabou-se a educação física, e agora?

Pratiquei ciclismo e corrida até ter saído da margem sul, ou seja até aos 23, por isso é que se forem a reparar por fotos antigas, eu era basicamente uma “trinca espinhas” nessa altura, e nunca gostei desse facto, foi por isso que quando a minha vida melhorou, parei um pouco o desporto e consultei uma nutricionista para ganhar peso pois sempre tinha desejado um corpo curvilíneo, precisei de engordar 10 k para ter o aspecto que queria e estava bem longe de estar acima do peso portanto vejam, passei dos 45k aos 55k em três meses, e superado esse desafio chegava a hora de pensar em voltar á prática do desporto.

Talvez na cabeça desta pessoa a prática de desporto faça-se apenas em ginásio, há pessoas de facto assim, mas daí a tomarem conta do nosso nariz é outra história… Sempre senti-me frustrada por nunca ter frequentado um ginásio, afinal, cresci numa família pobre e 40 euros para uma mensalidade eram muito dinheiro, dinheiro que daria para uma semana de alimentação quando era mais nova. Mas descobri o impacto que um bom ginásio teve na minha saúde, descobri que adorava musculação e foi assim que o meu corpo ficou exactamente como que queria para além de ter tido um efeito enorme na minha ansiedade e depressão, durante anos treinava 6 dias por semana e ás vezes no sétimo dia ainda ía ao ginásio para usufruir do spa e relaxar um pouco. Durante anos quanto a aulas de grupo o bodypump foi a minha paixão, uma paixão que caiu um pouco em esquecimento porque aqui no Algarve nunca encontrei aulas tão boas como as da Liliana, mas entre idas e vindas, mudanças de emprego e cidade, é normal que por vezes o desporto tenha caído para segundo plano. O facto é que hoje em dia percebo que não posso parar porque o exercício físico chega a ter um efeito curativo em mim, sobretudo emocional, e por isso sempre foi uma área da minha vida importante, tanto que até como podem ver o meu relacionamento com o Bruno começou por causa de um ginásio, e aqui estamos nós.

As pessoas são realmente muito más, sobretudo porque sei que a pessoa em questão já teve os seus próprios conflitos interiores e problemas com o corpo, e por isso deveria compreender como ninguém a batalha que é ás vezes entre problemas, trabalhos que vão para além das 8h diárias e mudanças, ainda conseguir inserir a prática do desporto. Que as pessoas não saibam sobre a nossa vida é legítimo, mas o silêncio é por isso o mais inteligente dos actos por vezes, porque se não sabemos, poupamo-nos a dizer mentiras, poupamo-nos ao constrangimento de transmitir o quão ignorantes somos, e sobretudo, falar sem saber é um acto de maldade, é um aproveitamento da ignorância para falar com liberdade e sem mentir, apenas inventando, criando histórias ao próprio gosto só para ver se ficam e se caem bem aos outros.

A maledicência é a ocupação de pessoas muito infelizes, donas do nariz dos outros porque o delas está tão levantado para o céu que nem a maior ignorância que possam vomitar em forma de palavras alguma vez as fará cair em si e perceber, que a humildade e o conhecimento deveriam ser obrigatórias para todos aqueles que decidem falar sobre alguém.

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