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Um julgamento dos homens e da igreja

Têm Netflix? Se sim por favor vejam, e vejam com bastante atenção o caso da Amanda Knox, o título da série é mesmo este, o nome da adolescente que se viu julgada por uma sociedade ainda tão manipulada pela igreja e pelo machismo, uma sociedade que não aceita pessoas diferentes e que ainda se acha no direito de as julgar por um crime só por isso, por serem diferentes.

Tive que ver o documentário duas vezes porque se a primeira vez que o vi fui “botando” o olho sem prestar total atenção, á segunda pude comprovar que afinal o que tinha visto não era mesmo uma história de ficção, era bem real e podia ter acontecido comigo que tanto identifiquei-me com a Amanda.

Nunca pensamos que o facto de sermos diferentes, almas livres, felizes nos possa render mais do que alguns olhares de desdém e algumas críticas típicas de quem não tem nada para fazer, nunca chegámos ao ponto de pensar que sermos livres, termos raciocínio próprio e sermos mulheres pode levar-nos a ser injustamente condenadas por um crime, mas foi isso que aconteceu neste caso, a olhos vistos.

Mas como assim, perguntam-me vocês?

Imaginem que têm uma personalidade super extrovertida: sim? Imaginem que são uma adolescente com 20 anos? Sim? Imaginem que têm uma vida sexualmente ativa e estão sempre envolvidas em romances e paixonetas. Parece-me normal certo? Se tudo isto é normal porque é que basta juntar isso a um infeliz acidente para que de repente sejamos criminosas depravadas com fetiches sexuais por realizar? Pois isto foi o que aconteceu com a Amanda, ela viajou até Itália em Erasmus, um sonho que sempre teve, quis aprender a língua e como qualquer adolescente, crescer com a experiencia de independência dos pais, como é normal, apaixonou-se, fez amigos e um dia, um dia a colega de quarto da Amanda morre e a Amanda vê-se fechada numa sala de interrogatórios sem saber se quer falar Italiano ainda e sem a presença de um tradutor a ser interrogada de forma agressiva e repetitiva durante horas, e tudo isto porque foi a Amanda que deu por falta da colega de quarto e ligou para a polícia, ironicamente, não existem gravações desses interrogatórios. Segundo o procurador que ficou encarregue do caso a Amanda pareceu-lhe logo culpada porque:

  1. Era promíscua.
  2. Era estranha.
  3. Trocava muitos afectos com o namorado.
  4. Gostava muito de sexo e por isso matou a colega de quarto porque era uma mulher e significava competição.

E sim, vocês neste momento perguntam: whaaaaat???

Posso-vos explicar, e a explicação vem com uma pergunta, como é que permitem que um padre, um padre, totalmente crente no catolicismo, exerça também a profissão de procurador?! Será que ninguém vê até onde isso nos leva? Conheço pessoas crentes e religiosas e até mesmo essas pessoas compreendem as contradições que existem no que toca ao direito das mulheres no catolicismo, hoje em dia os católicos, até os mais religiosos, percebem que a religião tem em si muitas contradições, o que me leva mais a acreditar que as pessoas querem mais acreditar em deus do que ser propriamente católicas. Mas, posto isto, todos temos o direito a um julgamento digno e não a um julgamento baseado em valores retrógrados onde a mulher é quase sempre colocada em contexto mais vulnerável!

Pelos vistos só haveriam duas formas de a Amanda Knox safar-se de um julgamento com este homem repugnante que do inicio ao fim do documentário apenas denota arrogância, vaidade, e repleto de uma tremenda ignorância, era a Amanda ser um homem, ou então ser uma adolescente totalmente púdica e completamente isolada de uma vida normal. O ódio que este homem sente por mulheres, o desprezo pela sua sexualidade, sensualidade e descoberta dos mesmos, vê-se, mas a olhos vistos ao longo do documentário, e ainda bem que no fundo ele é tão ignorante, porque se fosse um pouco mais inteligente, teria escondido ao publico tanta ignorância, tanta soberba e ter-se-ia cingido ao facto de ser procurador.

Comportamento?

Este homem sorri ao julgar a Amanda, é isto mesmo que ouviram, ele sorri, alega ser um fã de Sherlock Holmes, ser um padre devoto, quando o documentário trata-se da justiça ser feita no caso da Amanda e não da biografia dele, só aí denota-se a falta de seriedade, a falta de brio numa profissão que determina o destino de tantas vidas, não deveria ser isso encarado de forma mais séria? No entanto, todo o julgamento baseia-se no facto de Giuliano Mignini não gostar da Amanda, não aprovar os comportamentos dela, e não gostar do estilo de vida dela, chegando ao ponto de criticar imaginemos o facto de ela tentar-se recompor fazendo yoga e meditação durante o período de interrogatórios, alegando que a Amanda é uma pessoa louca, ora o sr. Mignini para além de padre e diga-se procurador na falta de melhor palavra, também julgou-se arrogantemente um psicólogo capaz de avaliar a sanidade mental de alguém.

Outro homem no julgamento de uma mulher.

Nick Pisa, o jornalista que nunca disse como conseguiu roubar, e sim, a palavra é esta, um diário de uma adolescente que o escrevia na prisão para conseguir sobreviver a tudo o que lhe estava a acontecer, provavelmente o diretor da prisão, o padre, ou algum guarda viu uma fonte de rendimento, sabemos muito bem como a justiça é corruptível, nao sabemos quem, mas sabemos que envolve corrupção e uma feia e forte quebra dos direitos de um ser humano, eu mantenho um diário ate aos dias de hoje, com 33 anos, e com 20 anos já tinha escrito muitas coisas, mas heis que no diário da Amanda, em vez de, ja que tinham o diário em mãos interpretar o facto de que tantas vezes a Amanda dizia ser inocente e não perceber o que lhe estava a acontecer, prefiram pegar nos relacionamentos sexuais que ela tinha tido ate então para transformar uma adolescente totalmente normal numa prostituta, e pergunto-vos que numero anormal é este, sete?! Foi esse o numero que foi divulgado, foi esse o numero que transformou uma mulher numa prostituta, quanto ao namorado da Amanda na altura também dado como suspeito, não foi feita qualquer tentativa de o denegrir com base nas relações que ele já tinha tido, pois ele era homem, e os homens podem ter uma adolescência, já as mulheres como o padre deveria acreditar a ter em conta todo o julgamento, deveriam provavelmente ter que se manter em celibato, infelizes, pudicas, cínicas, e em celibato ate acabar a adolescência nao vivida.

O momento alto do Nick Pisa é quando ele diz que a culpa não é dele de escrever esses artigos, a culpa é das pessoas por lerem os artigos dele, e eu fiquei atonita porque eu própria na procura da verdade sobre esta questão deparo-me com os depoimentos desta pessoa oportunista e fico enojada, li, no entanto fico enojada, li porque até as “informações” que de informações não têm nada que este homem escreve dão-nos a aprender alguma coisa, neste caso que o jornalismo apodrece a olhos vistos, com abutres que procuram a morte e que na falta da morte tem que procurar por presas vivas para sobreviver.

A investigação forense:

Que tipo de profissionais não trocam de luvas, não usam calçado apropriado, misturam evidencias e comprometem provas sabendo que vidas dependem disso? Como é que se descobre uma prova 46 dias depois de a investigação começar?! Porque é que o fecho do soutien nao foi descoberto logo no primeiro dia?

A justificação?

4 anos depois a Amanda foi solta porque finalmente técnicos forenses a sério conseguiram provar que o ADN contido nas provas tinha sido comprometido e estava longe de ser prova do que quer que fosse.

FACTOS:

. O procurador supôs, apenas supôs que a Amanda matou a colega porque queria satisfazer fantasias sexuais, e apesar do sémen do Rudy ter sido encontrado na colega, a culpa sempre foi da Amanda que queria ser uma espécie de Voyeur e ver a colega ser violada, o Rudy e o namorado eram, supostamente, as vitimas dos desejos sexuais da Amanda. (!???)

. O jornalista terá sido punido por divulgar o diário??! Não sei se a Amanda teve forças para apresentar queixa mas eu apresentaria, pois todos temos direito á nossa privacidade!

. Muitas pessoas terão desistido de ir para Itália em Erasmus graças a esta situação.

. O povo a julgar a Amanda na rua esqueceu-se que não tinha o direito de o fazer, mas o zé povo precisa da sua dose diária de tele novelas e de repente arma-se em detective…

. A família da Amanda deveria ficar contente quando o verdadeiro criminoso fosse apanhado e nao por qualquer bode expiatório ser preso para satisfazer os seus desejos infundados de vingança, uma morte nao tem retorno e nao se podem castigar inocentes por nao sabermos lidar com isso.

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Simples, sonhadora, trabalhadora, feliz, prática, cética, agnóstica, livre, pensadora, escritora, politicamente incorrecta.

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