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A mentira

Mentiste, distorceste, controlaste as cores, o quadro, o retrato inteiro, retirando toda a essência do que era real. Deu-te jeito, saíste por cima da situação, pelo menos na cabeça dos outros, porque por dentro sabes.

Quiseste tudo à tua maneira e ignoraste que os outros também têm vontades, desejos, sonhos que não giram em torno apenas do teu bem-estar, de uma forma narcisista, julgaste que não existia outro conforto se não o teu, e foi assim, nesse retrato egoísta que precisamente deixaste de o ter.

Amar é querer tão bem a alguém que só isso já nos aquece a alma, mas o que é o amor na cabeça de quem nunca o sentiu e provavelmente não tem qualquer probabilidade de o vir a sentir? Como se pode sentir amor sem abdicar do ego e da arrogância de se julgar que só a sua própria existência tem valor? Não se pode.

A mentira de nada vale porque não existe, de que vale pintar um retrato cheio de flores se ninguém as pode cheirar, sentir e tocar?

Estou dividida entre quem a diz e quem acredita nela, na mentira. Porque se por um lado quem mente cria algo que não existe deliberadamente porque não sente qualquer afecto ou boa vontade, por outro quem acredita não te conhece, e por isso, por se deixar enganar sobre ti com tamanha facilidade, não te merece, qualquer desconhecido merece o benefício da dúvida, o que se dirá então de alguém que te sorriu tantas vezes.

Mas a mentira é isso mesmo, um tribunal sem decisões onde existem réus sem provas ou testemunhas, vendo bem as coisas a mentira ajuda-nos a filtrar quem merece estar na nossa vida e quem não, porque é descartando-nos dela que construímos o nosso pequeno mundo onde só entra quem tem a palavra amor presa no peito.

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Um dia fiquei sem voz, fui silenciada e a minha escrita deixou de existir. O blogue que escrevia desde os 9 anos, de forma anónima, desapareceu, porque alguém de repente achou que escrever era algo totalmente inútil. Deixei que alguém me dissesse o que eu não podia ser. Anos depois, em memória ao blogue de uma vida, ás histórias que definiam como eu sou como nenhumas outras, aqui está o mesmo nome, o mesmo registo, para mostrar que eu mudei e que eu sou eu, sou o que eu quiser, o que eu sonhar, livre. As palavras são uma linda forma de expressão e nunca devemos permitir que alguém silencie a nossa voz.

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