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E quando não há um equilíbrio? Vale a pena?

Ontem, a propósito dos 4 anos que eu e o Bruno celebrámos juntos, o Bruno puxou ao assunto algumas situações que conhecemos de casais menos felizes e que permanecem juntos ainda assim, durante estes 4 anos quanto a nós, crescemos e fizemos muito bem um ao outro, mas afinal, esse deveria ser o intuito de uma relação, que as pessoas fossem o porto de abrigo umas das outras e que juntas pudessem crescer, certo? Mas e quando não existe um equilíbrio? Quando existe um dominante e outro sem o poder de tomar uma única decisão? Quando a palavra que conta é sempre só a de um membro do “casal”? Quando ele ou ela gerem toda a vida do outro, sem a hipótese de que isso alguma vez mude e essa pessoa possessiva não sai da relação porque sabe que dificilmente encontrará alguém que esteja disposto ao mesmo?Existem estes “casais” por toda a parte, e é por isso, que mesmo antes de conhecer o Bruno, por finalmente chegar à conclusão que vivemos numa sociedade machista onde muitas vezes nestas relações desequilibradas a vítima é a mulher, acabei por decidir dedicar-me a ter uma vida melhor sozinha, foi precisamente aí que o Bruno apareceu, mas muito graças às minhas vivências anteriores ele acabou por levar por tabela, eu era uma pessoa cheia de reservas e desconfianças, mas ele percebeu que a nossa relação valia a pena e esperou, e até hoje agradeço.Mas o facto é que eu sou das poucas pessoas que tinha escolhido ficar solteira e ser feliz assim, sim, prefiro uma solidão saudável, amigas de circunstância e viver viciada em trabalho do que estar no meio de uma relação tóxica, o grande problema é que, a sociedade ainda não vê a mulher como um ser humano independente, é quase como se nos faltasse um braço se não tivermos um homem ao nosso lado. Eu senti isso. Temos muito mais respeito e consideração dos outros se formos casadas ou de alguma forma partilharmos a nossa vida com alguém, já acontecendo o contrário, é quase como se precisássemos da autorização ou aprovação de um homem para termos uma vida e um papel normal.Sermos solteiras é quase como algo sobrenatural nos dias de hoje, quando podemos apenas na verdade ser mulheres independentes e decididas, que não se disponibilizam para o primeiro relacionamento que aparecer disponível. Não, nós podemos escolher, homens que nos respeitam e que nos tratam como iguais, nós escolhemos ser ou não ser mães, ser viciadas em trabalho ou viver a contar tostões, nós escolhemos porque podemos.Perguntam-se porque escrevo casais entre aspas quando me refiro a duas pessoas que estão juntas mas que em nada se assemelham uma à outra? Porque não existe tal palavra quando uma pessoa ofusca a outra em vez de a ajudar a brilhar, não existe quando uma decisão importante é desrespeitada só para que permaneçam juntos, não existe quando existem rótulos entre um casal e ele faz-se valer do machismo vigente para fazer com que ela limpe a casa enquanto ele vê o futebol, não quando não existe amizade, sobretudo amizade, em nenhum relacionamento podemos ofuscar o outro, limitar o outro ou colocar regras que façam com que a outra pessoa deixe de ser como a conhecemos. Não existe tal coisa como mudar os outros em prol da nossa felicidade, ou encontramos alguém que tenha os mesmos ideais, a mesma forma de ver a vida, ou então mais vale esquecer, porque as pessoas são uma construção e não é o nosso querer que as vai fazer mudar.Nós pensamos que sim, mas na realidade existem poucos casais felizes e é por isso que nos consideramos tão sortudos, porque somos duas pessoas equilibradas e que temos sobretudo uma grande amizade um pelo outro. Eu sei que um dia eu vou ficar com muitas rugas, que vou deixar de ser atraente e que vou queixar-me de dores nas costas, mas nunca vou olhar para trás e dizer que deixei de fazer o que quer que seja porque o Bruno pediu-me, sei que vamos continuar a amar-nos, com rugas, com apertos pelo meio, com problemas aqui e acolá mas que vamos sempre batalhar pelo mesmo caminho e sou imensamente sortuda por isso, porque temos esse equilíbrio e de outra forma não valeria a pena.

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